22/05/2013

O Escafandro e A Borboleta

Eu não fazia ideia do silêncio que me aguardava, mas sabia que o encontraria. Só não sabia que um olhar seria capaz de dizer mais do que eu imaginava...

Lá estava ele, imóvel, quase petrificado. Outra pessoa, menos alegre, menos forte, porém vivo. Vivo ali comigo, naquele momento, vivo ali todos os dias, vivo dentro dele mesmo desde sempre, vivo com seus pensamentos, que devem ser muitos, e vivo com sua vontade de viver, vivendo na uti de um hospital público, há mais de cinco meses, sem poder ver o sol nascer ou morrer, sem sentir a brisa de um dia qualquer em seu rosto...

Eu, que havia perdido a fé na vida, hoje tive uma prova de que ela move montanhas e que de fato, milagres acontecem. Eu vi um milagre bem na minha frente hoje. Um milagre que timidamente piscou, que timidamente me olhou, que timidamente se movimentou, mas que brilhou tanto quanto o sol diante dos meus olhos. O milagre é o Gui. É ele estar vivo, depois de tudo o que ele passou.

Pouco chorona, não consegui ser forte o tempo todo e embora eu quisesse ficar ali firme com ele, não pude suportar por muito tempo. Lembrei da época em que brincávamos na rua cinco, aquele menino jogador de bola, empinador de pipa, torcedor convicto da macaquinha, bonzinho demais, gente fina, que se tornou um bom homem, bonito, forte... E ele ali agora, naquela situação... 

Ao sair de lá, minha cabeça não parava um minuto, além de lembrar de tudo isso e muito mais, lembrei de um livro que marcou muito a minha vida, que dá título a esse texto. O Gui vive enclausurado em si mesmo, assim como viveu Jean Dominique Bauby, a pessoa que com o piscar dos olhos escreveu esse livro. Fiquei pensando nas coisas que se passam em sua cabeça, no seu sofrimento, na sua vontade de viver. Pensei em sua família, pensei muito neles. É um mar de dor, uma imensidão de dor que não tem fim... 

Não somos nada, ninguém é melhor que ninguém neste mundo, pois basta um momento, UM MOMENTO, para que tudo o que você tinha vá embora e você pode estar dependendo de outras pessoas, você pode perder tudo o que você julgou mais importante até agora e do dia para a noite simplesmente não ter mais nada. E de que adiantou toda soberba? Toda má educação? Todo o desrespeito para com o próximo? Tanto egoísmo? Tanto julgamento? DE QUE ADIANTOU TUDO ISSO? 

Diante de uma situação como essa eu repenso toda a minha vida, me julgo muito fútil diante de certas coisas e me volto pra mim mesma e para as pessoas que eu convivo e me dá vergonha de ver o quanto reclamamos desnecessariamente. Mais da metade dessas pessoas não têm motivos para reclamar, reclamam apenas por não terem nada melhor para fazer... Eu não posso suportar de hoje em diante que reclamem da vida, não posso, ainda mais depois do que vi hoje. 

Uma pessoa, que alguns diriam estar inválida, tem lutado muito pra se manter viva, aos trancos e barrancos e não parece desistir diante de todas as dificuldades e promessas terríveis de morte, amputação de membros entre outras predições sem fé... 

Para mim, ele é a borboleta voando e todo o resto é o escafandro.

Força Gui! Você vai sair dessa, eu não tenho dúvidas. 

03/05/2013

Aposto o oposto

Ela é só uma menina. Uma menina que um dia perdeu a fé na vida.
A menina que perdeu a fé na vida continuou a viver seus dias, tão nublados como antes, tão quentes ou tão frios como sempre, tão altos e tão baixos e não estranhou que coisas ruins acontecessem, afinal, essas coisas sempre aconteceram.
A menina não foi apedrejada, queimada, enforcada ou teve sua cabeça cortada em praça pública quando perdeu a fé na vida. Ela descobriu que perder a fé não é pecado e não merece castigo e que toda essa forma de encarar os fatos, dizendo que tal coisa é pecado e merece punição não pertence a sua natureza inata.
A menina perdeu também parentes queridos cedo demais, de maneira trágica demais, sem explicações que pudessem confortar o seu coração.
A menina que perdeu a fé na vida, mas que um dia ainda a tinha, não foi salva por essa dita cuja, nem os seus queridos foram curados, depois de tantas orações e pensamentos positivos feitos por ela e por outras milhares de pessoas. Essa fé que ela tinha, não impediu que todos aqueles de quem ela gostava muito, citando especialmente os seus pais e seus avós, sofressem diante de certas coisas, afinal de contas, é a vida, não é mesmo? Essa vida brincalhona pregando peças em nós...
Disseram pra ela "Hey, você não pode perder a fé em Deus! Deus é vida!". E ela não entende o porquê disso tudo...

Mas como eu disse, ela é só uma menina. Uma menina que perdeu a fé na vida.

14/04/2013

Carne suína e cisticercose: qual o verdadeiro risco?

Em meio aos meus estudos de Zootecnia de Suínos, me deparo com a seguinte questão: "Carne suína e cisticercose: qual o verdadeiro risco?".
Cursando o quarto ano de Medicina Veterinária, tenho total condição de responder a essa questão de forma adequada para quem quiser ouvir. Estou até cansada de ter visto tanto assunto referente a esta questão ao longo de muitas disciplinas até agora. No entanto, parei para pensar e achei justo compartilhar o meu conhecimento.
Os brasileiros, de maneira geral, dos mais esclarecidos aos leigos, têm um preconceito muito forte com a carne suína e digo o porquê: eles associam o suíno ao animal de antigamente, o porcão gordo que era criado na lama, alimentado com restos de comida (lavagem). Esses animais eram produzidos com o propósito de produzir banha e sua genética lhe dava essas condições, tendo baixo rendimento de carcaça e muita deposição de gordura. Porém, todo esse cenário e toda essa genética mudou. Quando você vai ao supermercado e compra carne suína, ela, na imensa maioria das vezes, tem o carimbo do Serviço de Inspeção Federal, o que assegura que aquele pedaço de carne passou por inspeção cuidadosa e segura, por profissionais competentes e treinados, em um frigorífico legal, com abate humanitário. Agora, eu não quero que me julguem mentirosa e quero deixar claro que abates clandestinos estão aí para serem fiscalizados, mas isso é ooooutra questão...
Os suínos de hoje, foram selecionados para terem um bom rendimento de carcaça, isto significa, de forma simplória, que é desejável que eles apresentem mais carne que gordura em seu corpo. Além disso, eles apresentam melhores conformações, ou seja, apresentam formas mais harmoniosas, que permitem o seu desenvolvimento adequado, sem prejuízos ao animal durante a produção das partes do seu corpo de maior interesse econômico. A alimentação dos animais, é balanceada e diferenciada de acordo com as diversas fases de desenvolvimento, de forma que eles sejam bem nutridos e todas as suas exigências nutricionais sejam atendidas. A forma como são criados na suinocultura industrial difere do suíno criado na lama, no sistema de subsistência (que ainda é expressivo em algumas regiões do Brasil).
A teníase é uma doença que pode acometer suínos, bovinos, ovinos e o homem. Ocorre quando ingere-se carne crua ou mal passada onde há larvas de Taenia. Os animais, sendo hospedeiros intermediários, apresentam a larva desse verme em seus tecidos e o homem, hospedeiro definitivo, apresenta a fase adulta do verme em seu intestino e libera os seus ovos no ambiente, através das fezes.
A cisticercose é uma doença que pode acometer suínos, bovinos, ovinos e o homem. Ocorre quando ingere-se frutas, verduras ou água contaminada com ovos de Taenia (que o homem libera através de suas fezes).
O suíno, em produção intensiva, não ingere carne crua ou mal passada onde poderia haver larvas de Taenia.
O suíno, em produção intensiva, não ingere frutas, verduras e muito menos água contaminada com fezes humanas, onde poderia haver ovos de Taenia.
O suíno, em hipótese alguma, em produção intensiva, causa cisticercose no homem. O homem causa a cisticercose no suíno. O suíno não é a fonte de transmissão, apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida, mais uma vez, pelo homem. O suíno abriga a fase larvar da Taenia apenas quando ingere carne crua ou mal passada onde há larvas de Taenia (o que não ocorre na produção industrial).
Portanto, o homem adquire a cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminada com fezes de pessoas portadoras de Taenia, ou seja, com teníase. E o homem adquirirá a Taenia ao ingerir carne mal cozida de bovinos, suínos e ovinos que tenham cisticercose. Em nenhuma hipótese o homem terá cisticercose ao ingerir a carne suína oriunda de um sistema intensivo que passou por Inspeção Federal (e daí a importância de saber a procedência da sua carne, a importância de se comprar carne em estabelecimento adequado, onde só vendam carnes com o selo do S.I.F.).
Saliento ainda que essas doenças, a teníase e cisticercose, ainda ocorrem no país, porém, há que se ter o cuidado de só adquirir carnes de estabelecimentos de boa procedência que vendam carnes inspecionadas. Essas doenças são associadas a locais onde condições higiênico-sanitárias não são atendidas, falta saneamento básico e noções de higiene são precárias. Não precisamos adentrar muito o interior do Brasil para ter esse tipo de realidade, periferias de grandes centros urbanos estão carentes dessas condições básicas, só que o poder público não chega até lá (talvez precisem de carros melhores para enfrentar os buracos dos asfaltos ou as ruas de terra desniveladas)...

O risco: consumir carne suína de procedência duvidosa. Na dúvida, não consuma.
O suíno: não tem culpa nessa história.

Parafraseando um trecho da minha aula, "Enquanto o consumidor pensa no "porco" o produtor já produz o "suíno"".

05/01/2013

TPM nua e crua

Minha mente não pára...


O dia não rende, a fila não anda, as pessoas são más e feias e dizem coisas idiotas, os amores se acabam, há uma disritmia em tudo o que se faz, os planos se autodestroem, a água de coco fica passada, o dia fica cinza, o comercial de manteiga é romântico demais e me faz chorar, o ventilador quando ligado no modo exaustão me congela, os amigos viram inimigos e conspiram contra mim, as fotografias dos porta-retratos derretem na minha vista e se assemelham ao famoso grito de Munch, os tênis ficam iguais pés-de-pato, a manicure não sabe até hoje que odeio esmalte nude?, a cabeleireira não ouviu que eu não queria franja?, eu odeio usar aparelho, acho que meus dentes estão bonitos, talvez um pouco amarelados, mas são bonitos, não são? Você não acha eles bonitos? Por que eles não são tão bonitos? O que eu te fiz pra me odiar e odiar os meus dentes? Espinhas? Eu odeio tpm, eu tenho espinhas nesses dias e fico gorda, me sinto gooooorda, mórbida. Quero mudar a cor da parede do meu quarto... talvez um tom pastel... não, pastel parece nude, nude é tãããoo... sem expressão!, nude é nude, preciso de cor... mas é verde, é bonito! Não, azul! Azul traz paz, paz pra 2013. Quem precisa de paz? Quem quer paz? Ter paz na vida é viver de forma morna, eu não sou morna, eu sou ebulição, sou muitos graus celsius, deixo a paz para quem precisa. Quero mais dias felizes e infernais e de amores banais e quentes, mas não quero suor. Tenho nojo de suor. Também tenho nojo de amor água-com-açúcar. Os amores não existem em dias negros como esses. Só o Burguer King me salvará. Ligo o ventilador, tenho frio. Desligo o ventilador, mooooorro de calor. Olha, estou cansada, can-sa-da disso, parece que estou na menopausa e nem sequer cheguei nos 40. Ahhh os 40, credo! Obrigada, estou bem assim. Bem? Quem é que tá bem aqui? Olha essa bagunça... é tudo eu nessa casa, sou eu quem tenho que fazer isso fazer aquilo... Ai que saaaaco, meu celular não tem sinal. Essa operadora é uma merda. Merda é ser pobre e certo tá o Caco Antibes... cansei de ser pobre. E a noite não tem luar e se tem lua, ela foge da minha janela, não faz questão alguma de sorrir pra mim. Sorrir... faça-me o favor, suma daqui com esse sorriso! A g o r a! Não quero ouvir falar desse sorriso jocoso, nunca mais! Os gatos da vizinha miam, gemem, parecem crianças chorando. Se eu pudesse eu matava mil... não gatos, mas mil não sei quem ou quê, mas que matava eu matava. Queria chutar a gôndola de frios do supermercado. Eu perdi seis posições na senha dos fatiados, 6 fucking míseras posições e tive que esperar 29 só para pedir 300 gramas de presunto. E eu odeio presunto. Presunto dá gases. Como as pessoas podem comer presunto? Logo, quem come presunto é um peidador ambulante. É o que eu desejo aos meus inimigos: que se fartem de presunto e peidem quando rirem maldosamente de mim, MUAHAHAHAHHA. Experimente trocar amor por tequila. Ééé, permita-se, mulher! Mas troque em tudo, tome esse shot, essa dose por você. Leia todas as enfadonhas frases de amor (Amor... hahahahahahahah, desculpe, tenho riso frouxo) e troque essa enfadonha palavra por TEQUILA! Oras, por que me tomas? Tequila faz mal para mentes sãs como a minha. Grande bobagem essas coisas de sair bebendo. Nunca mais vou beber na vida. Não mesmo! Ah, eu bebo sim! Quem você quer enganar? Tpm morraaaaaaaaaaaaaaa, me deixa ser feliz. Eu não queria estar chorando... mas esse comercial de manteiga é realmente muito lindo. Eu amo o mundo. Eu amo, eu amo mesmo! Eu que não fumo queria um cigarro. Eu que não amo você! Eu amo sim, eu amo tpm. Ohhh Deus, por que meus livros não chegam logo? Quero mais dessa água de coco passada... eu poderia viver de água de coco, água de coco, sua linda!

01/12/2012

Fechada a cortina, vazio o salão

 Eu que já não queria mais, levei a vida devagar tentando me precaver dos piores. Sendo a vida louca e breve, quase caí porque parei... Me lembro de ter dito alguma vez que ouvi no filme que a vida é como andar de bicicleta, se parar cai. Pois bem, grande erro esse meu: eu parei. Sorte foi que não cheguei a cair, mas foi por pouco, veja bem. Encostei a bicicleta na sacada do apartamento (ela ainda está lá, imóvel e empoeirada), me acomodei e acreditei que era só um tempo, que as chances deveriam ser dadas para mim, para todos eles, e mais especificamente para ele. Por que eu ia descer três lances de escada todos os dias carregando a bicicleta, se eu podia ir andando devagar, devagarinho, sem pressa de chegar? Grande erro! Não quero mais parar, nem ser contida, muito menos perder velocidade. A exemplo de Forrest Gump estou indo correr, ainda que aos olhos dos outros aparentemente eu possa não ter motivos para correr assim, correr de quê? correr pra quê? eles dirão, mas dane-se a crítica, afinal de contas, quem são eles? Quem precisa deles? Somente quando eu achei que precisava de alguém foi que me perdi. Quero correr até sumir o que se passa aqui dentro ou até eu achar que está bom e confesso que recuperei os meus critérios de outrora. A mim não interessa mais seus dons artísticos, seu bom vocabulário e sua boa educação quando precisa de mim. Quero correr até que meus propósitos voltem a se fixar na minha cabecinha idiota e no meu coração que, definitivamente, não é de papel. Eu irei achar o tom e fazer com que fique bom outra vez o meu cantar. E não tem essa de "e a gente vai ser feliz...", porque já me esgotei da mesma nota, o show perdeu a razão.
 Se tu me cativas, nós teremos a necessidade um do outro, se do contrário isso não ocorre, o que posso eu fazer? Os homens esqueceram a verdade, e não deveriam se esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
 De ontem em diante, serei o que sou no instante agora. Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa. Me atiro do alto e me atire no peito, teu choro já não toca meu bandolim e a tua voz sufoca meu violão. Foi você quem quis assim (reflita...). Se ser sozinho, pra você é sinônimo de ser feliz, aposto o oposto: é impossível ser feliz sozinho! 
 Sem piedade, ainda me crucifico por ter sido, mais uma vez, boba (lê-se: carente) de acreditar que seria diferente, mas sou assim, nunca quis um só pedaço, sempre quis a fruta inteira. "Ora, que culpa tenho eu de ser assim?", diz meu lado racional, enquanto o lado emocional, o mandante, o traficante do meu morro, continua a se crucificar... pois bem, que seja assim, o show tem que continuar. Da luta não me retiro! Afrouxaram-se as cordas, mas não posso mais desafinar, não quero cair...


Agradecimentos ao Teatro Mágico, Fundo de Quintal, Tom Jobim, Pequeno Príncipe, Los Hermanos, final de semestre na faculdade e ao meu coração sensível (até demais) que me possibilitaram escrever mais um texto baseado em fatos reais. 


01/08/2012

Era uma vez no Maranhão


Por dez dias vivenciei, sob a minha ótica e o meu conforto, uma realidade que não é a minha, mas que me afetou. Vi muitos dormindo nas calçadas, mal abrigados e descobertos, largados e esquecidos. Quando amanhecia, os que pareciam moribundos ganhavam vida e de alguma forma, misturavam e camuflavam-se com os demais, que desde as sete da manhã estavam a postos lutando pelo pão deles. Os garis limpavam a sujeira que podiam das ruas nessas noites. Os mais sujos eram os policiais, que salvaguardavam o centro histórico à sua maneira... honestamente, não vi utilidade em tê-los ou não ali.
            Mal amanhecia e o sol no céu queimava a pele dos desprotegidos, despreparados e sem mãe: os turistas - aqueles que passam repelentes, protetor solar fator 60 e tentam ilusoriamente estar preparados a todas adversidades.
            Os nativos, de pele morena, alguns vestindo carrancas no lugar habitual dos seus rostos, armados e xenofóbicos... Outros, simpaticíssimos, gentis e de sorriso largo, prontos para ajudar ou dar um bom dia efusivo, contrastando e dando vida aos dias quentes e aos ônibus e ruas lotadas.
            Em Raposa, um povoado vizinho de mulheres rendeiras e homens trabalhadores do mangue, estão abertos à visitação e encantam com sua simplicidade e com suas palafitas sofisticadas que comercializam Coca-Cola, ainda que mal tenham água encanada.
            O sossego das pessoas se assemelha ao de suas tão famosas dunas e lençóis. O reggae que ecoa nas esquinas, misturado ao som de um forró mais que animado, é o que movimenta o povo nas baladas. Tenho pra mim que se não fosse a sua música, eles não seriam os mesmos.
            Foi por essas que outras que eu percebi, ao contrário do que a mídia vende, que não são somente os sabores como o do cupuaçu, cajá, bacuri e do famoso Guaraná Jesus, a disposição dos azulejos e arquitetura das velhas casas quem dão o gingado e a malemolência típica de São Luis do Maranhão. Adiciona-se também os contrastes e percepções de fatos reais, vividos por mim e por outros que desconheço, nesta cidade muito longe, muito longe daqui, que tem problemas que parecem os problemas daqui
            E para os que desconhecem qualquer fato a respeito, estar no Maranhão é arte, suar faz parte.


03/06/2012

Sou um transdutor

 Engraçado como, em certas horas, a gente aprende a atuar como se fosse uma atriz de cinema ganhadora de um oscar de melhor interpretação, disfarçando com classe a tristeza real que sente ao rever alguém que um dia foi muito especial na sua vida, lembrando que poderia ter sido e não foi, nem nunca será. Cheguei até a imaginar efeitos especiais quando da minha despedida, como se o mundo parasse, como se o meu sorriso fosse penetrante, como se breves segundos de um cumprimento gentil pudessem marcar toda uma vida... todos esses efeitos devido ao fato de que poderia ter sido e não foi e nem nunca será.

E são efeitos especiais, tão especiais que não existem na vida real. Tendo sido afetada por um realismo tão grande que até os sentidos me aparecem sem suas cores, e se há cores, estas são insossas, não vejo o porquê de sonhar... Vendo em preto e branco a vida passar creio que é assim que deve ser praqueles que se cansaram de acreditar em futuros prósperos, recheados de conquistas, valores, alegrias...

Acho engraçado mesmo essas horas que a gente perde a noção de realidade e essa tem sido uma das poucas graças obtidas por mim mesma. É tão idiota isso de se imaginar vivendo uma realidade inventada, que nunca foi nem nunca será. E é engraçado por ter todo o seu foco invadido por uma abstração que quando passa e perde a validade você se olha e sente vergonha por ter elevado à enésima potência as probabilidades reais de algo acontecer, desafiando as leis da física e da matemática pura e ri sozinho...

Ouvi há pouco o que o músico cantou. Era algo mais ou menos assim: hoje aqui, amanhã não sabe... vivo agora antes que o dia acabe. Realismo puro! Se eu dormir vou correr o risco de sonhar... e sonho que se sonha só é só sonho. Não quero mais isso pra mim...

04/03/2012

Palavras, palavras apenas, palavras pequenas...

Tem quem prefira os beijos às palavras. Eu particularmente sempre preferi as palavras, que poucas vezes me faltaram. Os beijos, estes têm sido bastante superficiais em vida, em sonho, em passado e na previsão de um futuro não planejado. Palavras me fogem da cabeça, me vêm à boca quando querem, me fodem a vida quando mal escritas, me tornam mal compreendida, mas recheiam o conteúdo dos que as proferem ao invés do Pensamento, que se esconde nos covardes e morrem com eles, junto com as suas vontades. De palavra em palavra se compreende uma frase, um pedido, uma ordem, uma indireta... Com as palavras se consegue ir além. Atinjo meus alvos fazendo uso delas, machuco-me ao ouvi-las, preciso delas para me acalmar. Aqueles que fazem mau uso delas corre o risco de depender da compreensão, benevolência e caráter de outrem para ser absolvido sobre aquilo que foi cuspido intencionalmente. E uma vez dito, complicado se redimir, não há meios de retirar ou fazer esquecer aquilo que os ouvidos ouviram e na mente já penetrou. 

 

12/02/2012

SHOC,

É difícil viver longe de quem se ama.
Falta o abraço não dado nos momentos em que se necessita dar, o calor do abraço não recebido, o afago das mãos, o beijo, o colo acolhedor, o bom dia com cara de sono, o fazer nada juntos, o rir da vida, o caminhar despojado e sem intenções de chegar a algum lugar, a correria e a parceria, o amor em todos os seus sentidos e suas formas de expressão, o ombro que acalenta o choro, o filme na terça-feira, a pipoca na quinta, o coçar na sexta-a-noite, o cinema no domingo de manhã, o sorriso amarelo pós coca-cola... em suma, falta o dia-a-dia.

É injusto ter o hoje com os seus méritos e amanhã perdê-los devido ao acaso do destino.
É injusto ter que saber lidar com o novo sem ter nascido sabendo como fazer.
É injusto ter que ser forte quando a distância deixa lacunas pela estrada.
É injusto ter que tolerar que se perde aquilo que se gosta porque a distância não sabe brincar de ser legal.

A distância parece injusta, mas ao mesmo tempo, sabe o que faz. Se não fosse a distância entre o sol e a lua, esta não brilharia refletindo a luz emitida pelo sol e não seria tão bonita aos olhos de quem a vê.
A distância dá saudade e oportunidade aos amantes sentirem falta um do outro, fazendo os encontros sempre valerem a pena.

Que esta dor, causada pela saudade, causada pelo desejo de estar junto, causado pela distância, causada pelos caminhos escolhidos, causados pela sorte de cada um, causada pelo dia em que te conheci, me amadureça e fortaleça, para que eu consiga te reencontrar, quando possível, sabendo lidar com o fato de te amar e não poder estar contigo da forma como queríamos que fosse.
   
"De que vale um pingo d'água no meio da corrente? De que vale amor bonito, ai meu deus do céu, longe do olho da gente?" diz, em meus ouvidos, a ladainha da capoeira que um dia com arrepios de emoção ouvi numa roda.



18/12/2011

Isso é só o fim

Botei meus óculos para poder enxergar melhor o que eu pretendo relatar nas seguintes linhas. Trata-se de um final. Vou começar falando de finais. Estes podem ser felizes, tristes, abruptos, românticos e sentimentais, molhados e ao mesmo tempo secos. Mexem com a gente, não mexem com a gente, são difíceis de serem encarados, ou não, mas não passam imperceptíveis nem sob o olhar do mais desatento dos não-observadores. O prazer que se tem com a finalização de algo que custou caro para as mãos, coração, vistas, glândulas lacrimais e sudoríparas se esconde ou se mostra, se vive ou se deixa viver. O fato é que as construções, os relacionamentos e as longas caminhadas tem seu começo, seu meio e seu fim. Não tem como escapar disso. O fim está sempre a espreita, esperando seu momento de acontecer. Nunca se sabe aonde uma despedida ocorrerá. Porém despedida não trata do mesmo assunto que trata o fim, necessariamente. Mas despedidas e finais andam de mãos dadas. Fim é fim. Não costuma trazer à tona o que outrora outros meios trouxe. Despedida pode anteceder um novo reencontro. Despedidas podem conter finais. Porém finais não podem conter despedidas. Conter: Compreender na extensão, na capacidade, na substância; Encerrar; Manter em certos limites, impedir de avançar; Disciplinar os sentimentos, dominar-se. Então é isso. Não pude conter certas lágrimas que deram ao cabo de terminar de destruir-me. Quando retiro meus óculos é que percebo que algo me fazia falta nesse tempo. Eram os óculos. Mas ainda falta algo mais...

22/10/2011

This is it

Bem mais que o tempo que nos perdemos ficou para trás também o tempo que nos juntou... Ainda lembro que eu pegava o mesmo ônibus só para saber do seu final de semana. Isso foi antes de tê-lo. Os versos que eu fiz você ainda carrega na carteira. Isso é de ontem e de hoje. O vento desfaz o que há por dentro aos poucos, mas o nosso lugar no ônibus será sempre nosso lugar, de nenhum outro casal! Você está vendo o que está acontecendo? Nessa baderna sei que ainda estão os versos seus tão meus que peço nos versos meus tão seus que me esperem. Que me aceite depois de tudo porque em paz eu digo que eu sou o antigo desse que vai adiante. Sem mais, eu fico onde estou, você onde está. Prefiro continuar distante..

21/09/2011

Para minha ciência, notei minha consciência.

Vivo da escravidão que é viver atada ao que manda a minha consciência. Alimento-me assim, dia a dia, das poucas escolhas que posso fazer. Se não fosse a sua existência, Consciência, eu não sei o que seria de mim. Devo, então, agradecer-te ou ignorar-te? Para meu descontentamento, o seu despropósito acerca de mim, sempre vence. Fraca como sou e como me conheço diante daquilo que me leva a loucura, você impera antes ou depois e de uma forma ou de outra, a vilã é sempre você. Recosto minha cabeça no travesseiro e vivo de suspiros e lamentações do tipo "ai se..." ou do tipo "por que eu não pensei melhor?". Então pra quê bananas você me serviu? Por isso, vou avisando que seus dias estão contados, senhora. Já disse uma vez que seguiria minha estrela e cheguei a fantasiar em segredo o ponto aonde queria chegar. Eu vi grana e dor, minha palma da mão mostrou um paraíso perigoso... Tomei consciência hoje de que esta, velha e conhecida consciência, de nada vale, de nada vale, de nada vale mesmo, porque no final ela só aparece para apontar o dedo e dizer que avisou. Preciso mesmo de um novo sistema de comportamento baseado em recompensas melhores que a manutenção da minha integridade moral. Não tem mais espaço no mar para camarões que dormem, a onda acaba levando. Ou será que preciso aprender a ser livre?

04/07/2011

Pneus de carro cantam

Naquele clima de final de semestre, provas, pressão, a louca vontade de jogar tudo pro alto falou mais alto. Depois da meia noite viveu muito mais do que a Cinderela poderia ter vivido em sonho durante o dia. Risos altos, conversas despreocupadas e a noite inteiraaaaaaa sendo insanamente divertida. Cabelos ao vento, da janela do carro, o excesso de felicidade era transmitida para o silêncio que pairava nas ruas, e tudo parecia um sonho. E o frio não importava, o calor vinha de outro ombro mais que amigo e tudo pareceu perfeito. Acordou com a sensação de que perdera o juízo, nada parecia fazer sentido algum. Olhou ao redor e viu que, além dela mesma, tudo estava intacto...











Mas aonde é que estavam suas sapatilhas?

29/06/2011

Foi a cor dos olhos

Da minha janela eu podia ver claramente a luz entrar, eu podia ver ciscos de poeira que voavam a esmo. As definições sobre tudo me cabiam e me satisfaziam perfeitamente. Eu podia ter, da minha cama, os melhores sonhos e dos meus pensamentos, as maiores vontades. Da minha vida eu podia tomar o rumo que quisesse, podia escolher como seria o meu dia. Dos meus impulsos eu podia ser qualquer coisa e podia me pintar no papel que escolhesse. Mas isso foi antes. E logo eu que jurei por Deus não morrer por amor...



17/06/2011

Filosofia e Bem-Estar Animal

Desde antes de Cristo filósofos questionavam assuntos que despertavam interesse ou impactavam a vida. Aristóteles, filósofo da Antiguidade, exerceu influencia no pensamento, ação de seus contemporâneos e de pessoas da atualidade. Acreditava que animais estariam a serviço do homem para uso-fruto sendo, desprovidos de razão, fato que os distinguiria dos humanos.
Atualmente, a teoria Produtivista, cuja base filosófica vem das ideias de René Descartes, afirma que os humanos são os únicos membros da comunidade moral, sendo espécie pensante que possui o direito sobre o modo de vida dos animais. Muitos sistemas produtivos os subjugam em busca de lucro, sendo o sofrimento animal justificado pelo aumento da produtividade.
Apesar de não sermos filósofos não estamos desautorizados a comentar sobre “ética” na produção animal. A sociedade civil organizada e movimentos sociais trouxeram preocupações éticas com a produção animal. Estas preocupações foram acompanhadas por reflexões e trabalhos de diversos filósofos como Ruth Harrison, Willian Russel, Rex Burch, Peter Singer, Tom Regan, que apresentaram questões humanitárias e filosóficas, tomando ora posição moderada frente aos debates ora aliando-se a movimentos radicais.
Filósofos contemporâneos sentiram necessidade de novas reflexões acerca da abordagem do Bem-Estar no tocante à produção, experimentação e direitos animais. Ruth Harrison deu inicio a discussões sobre Bem-Estar Animal através do lançamento de seu livro, Animal Machines, onde denunciou maus tratos que os animais eram submetidos na criação confinada. A publicação impactou a comunidade européia chegando ao Parlamento Britânico que criou o comitê Brambell para analisar a situação. Isto abriu caminho para outros manifestarem-se sobre o assunto conturbado. Tom Regan, Stephen Clark e Bernard Rollin, passaram adiante a idéia de que animais têm direitos. Comitês e Conselhos de Bem-Estar foram criados como o FAWAC (Farm Animal Welfare Advisory Council), que posteriormente passou a ser FAWC (Farm Animal Welfare Committee) existindo atualmente e considerando que animais mantidos pelos homens devem estar protegidos de sofrimento e baseia suas considerações em 5 liberdades. Peter Singer e Tom Regan escreveram Animal rights and human obligations (1981) também impactando a nível global as considerações sobre Bem-Estar. A partir dessas novas visões e manifestações, criaram-se relatórios apresentando Códigos de Boas Práticas e Manejo. Tom Regan lançou outro livro, In defense of animal rights (2001), mostrando que o debate continua. Grupos, ONGs, conservacionistas, vegetarianos, protecionistas ou defensores da liberdade animal influenciam a ciência e prática de ações relacionadas ao Bem-Estar Animal baseados no pensamento dos filósofos do passado e contemporâneos.


Este foi outro texto enviado para mais uma tarefa da WSPA.

08/06/2011

Senciência Animal

Eis um texto feito por mim e por Emília Davanzo para uma tarefa da WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal). Quem quiser saber mais sobre a sociedade, dá uma olhadinha no site: http://www.wspabrasil.org/. Vale muito a pena!

A senciência é um conceito intrinsecamente ligado aos humanos, e uma série de questionamentos surge quando o mesmo é estendido aos animais. Senciência significa ter capacidade de vivenciar sentimentos e emoções, poder sentir dor e sofrer, mas o oposto também é verdadeiro – o animal senciente também tem a capacidade de sentir prazer. Não sabemos em que ponto na escala evolutiva reside a linha limítrofe entre a presença e a ausência de senciência, porém, trabalhos científicos reúnem motivos e experiências que buscam sua comprovação.
Tem-se ainda muito ceticismo no meio científico e profissional em relação à senciência animal, mas se os animais são considerados então simples máquinas, como sugere a teoria do filósofo Descartes, como a semelhança com a inteligência humana, exibida por eles, pode ser explicada? Em estudos sobre preferências ambientais (Dawkins, 1980) galinhas puderam escolher entre viver em gaiolas ou livremente. As acostumadas a viver soltas, preferiram permanecer livres, já aquelas acostumadas a viver em gaiolas, em um primeiro momento preferiram-na, embora posteriormente escolheram a vida livre. Deste modo, a escolha é fortemente influenciada pela experiência anterior. Deve-se notar que o fato de as galinhas preferirem viver fora de uma gaiola não é indicativo de sofrimento, mas sim de que elas possuem a capacidade de escolha.
Evidências sobre senciência animal foram testadas em diversos experimentos. Pode-se citar como exemplo os trabalhos realizados por Marian Dawkins, ligados à galinhas, que através de uma série de experimentos mostrou que as aves desenvolviam habilidades para encontrar alimentos disfarçados no ambiente, demonstrando capacidades cognitivas nesses animais. Existem também trabalhos como os realizados por Yue com trutas arco-íris, onde as mesmas eram mantidas em um tanque dividido em duas câmaras. Uma luz era acesa em uma câmara, onde receberia um estímulo ameaçador, como uma rede, e para evitá-lo, a truta deveria nadar até a outra câmara do tanque. Todas as trutas aprenderam em um período de 5 dias a responder à luz nadando para o outro tanque, demonstrando não só a senciência do animal através da capacidade de sentir medo como também a capacidade de memória dos mesmos, demonstrando um desenvolvimento cognitivo semelhante aos dos mamíferos. Esse trabalho tem não apenas a importância de provar a senciência animal e com isso ser ponto de apoio para justificativas sobre o cuidado com o bem estar animal como também estende esse conceito aos peixes, animais comumente taxados de desprovidos de emoções.

Referências:

DAWKINS, M. Perceptual changes in chicks: Another look at the ‘search image’ concept. Department of Zoology, University of Oxford UK. Received 4 December 1970; revised 19 March 1971.

S Yue, R.D Moccia, I.J.H Duncan. Investigating fear in domestic rainbow trout, Oncorhynchus mykiss, using an avoidance learning task. Received 12 March 2003; received in revised form 3 September 2003; accepted 21 January 2004.

http://www.labea.ufpr.br/publicacoes/pdf/P%E1ginas%20Iniciais%202%20Senci%EAncia.pdf

http://www.afac.ab.ca/current/sentience/05mar.htm

http://www.oie.int/doc/ged/D2044.PDF

http://animalbehaviour.net/JudithKBlackshaw/Chapter3f.htm

01/06/2011

O tempo voa mais do que a canção

Ela não chorou quando o espinho da flor cruel que ela amou a machucou. A dor se arrastou por muito tempo, mas mesmo assim, nada de choro. Até que, ainda sensibilizada pela mesma dor, ela leu em algum lugar "Chora, Tistu, chora. É preciso. As pessoas grandes não querem chorar, e fazem mal, porque as lágrimas gelam dentro delas, e o coração fica duro." e então desatou a chorar, como nunca antes havia chorado. A citação foi o estopim, a razão que ela precisava para se libertar. E ela que se julgou forte, foi fraca quando muitas lágrimas vieram. Na calada da noite essas lágrimas, claras e salgadas e inquilinas da dor, vieram... E ainda que irmãs do desespero, elas a fizeram repensar em seus erros e a fizeram enxergar que a flor não era cruel, mas o seu espinho é quem lhe cravou uma marca profunda no peito, que já está cicatrizada e de lá não sairá mais.
Não precisou de meio dia para se sentir mais leve, foi instantâneo. E sentiu outra vez um vazio estranho, mas dessa vez era diferente. Não era fome. Comer não parecia tão importante. Estando ali, sozinha, de repente o seu pensamento focalizou alguém. E o seu coração apertou, mas não a deixou triste, pelo contrário, até deixou escapar um sorriso. Sentia-se alimentada por outra coisa. Dormiu e acordou com os mesmos pensamentos e estes a impulsionaram a ter um grande dia...
Quando o viu suas palavras saíram embaralhadas e suas mãos suaram. Então sua cabeça pensou direito, pode recuperar suas faculdades mentais por um momento, mas pouco depois perdeu-se novamente em sentimentos bons e confusos.

As borboletas que se confundem com dor de estômago voltaram. Mas agora não é mais dor, são elas mesmas. "Há quanto tempo, velhas amigas!! Não querem entrar e tomar uma xícara de café?" ela as convidou e prometeu que não vai mais tentar contê-las, pois já é hora de aceitar que os ventos mudam de direção e dessa vez, o vento as trouxe pra ficar e é bobagem lutar contra isso.



18/05/2011

Comportamentos

Podemos modelar nosso comportamento de acordo com o ambiente em que estamos inseridos. Somos plásticos, mutáveis, influenciáveis e sofremos degradação. As nossas qualidades não nasceram conosco, mas atualmente exibimos inúmeras. Algumas qualidades despontam mais que outras. Eu poderia ser o pior ouvinte do mundo, mas sou forçado a ouvir, em certas ocasiões. Eu poderia ser uma pessoa muito desonesta, mas sou honesta ao lidar com minha família. Nossa personalidade, esse nosso gênio, desenvolvemos ao longo dos anos. Nascemos crus. Fomos forçados a adotar uma postura de acordo com as diferentes experiências vividas. Nossos traços característicos continuam a evoluir e a amadurecer, ainda respiramos e mantemos contato com o mundo. Alguns traços mudaram bastante na adolescência. Outros mudam agora, nesse instante. Podemos mudar depois de ler um livro, assistir um filme, decepcionar-se ou surpreender-se com a atitude de um qualquer ou de alguém que exerceu influência na nossa vida. Podemos também fingir que nada está acontecendo e modular os nossos comportamentos de acordo com a nossa vontade. Muito mais fácil nos acomodar e esperar que o mundo gire ao redor do nosso umbigo.

O desafio para nós, seres humanos, por vezes, é definir quais traços do nosso caráter precisam ser trabalhados e aceitar que certos comportamentos, por mais que tenham sido expressados ao longo de uma vida inteira e tomados como verdade universal, não cabem mais numa determinada conjuntura. Não precisamos ter mais perdas do que ganhos para compreendermos isso, mas as vezes uma única perda pode ser derradeira para o choque de realidade que precisamos sentir para acordar.

Viver não é fácil, por vezes é um soco no estômago.

09/05/2011

Nádegas a declarar.

A pessoa desbundada sofre deveras mais do que a pessoa despeitada.

A desbundada jamais saberá o que falam por trás dela quando ela passa a não ser que o seu olho traseiro consiga visualizar tão bem quanto sente. A despeitada, por sua vez, tem a possibilidade de perceber olhares e comentários acerca do seu despeito. A despeitada também pode estufar o peito e seguir em frente, se ela estiver com a estima lá em cima. Nenhum homem deve se lembrar de uma mulher que não tem peitos do mesmo jeito que se lembra da que não tem bunda. A sem bunda é marcante.
Brasileiras desbundadas sofrem ainda mais, uma vez que grande parte da nossa fama no exterior é devido ao atributo volumoso que acompanha o corpo da grande maioria, ainda que não seja mérito portar tamanha musculatura na região glútea se há pouca massa cinzenta pensante. E sofrem ainda mais porque se estabeleceu uma ditadura das bundas grandes no país. Sintam o seguinte caso: A mulher desbundada decide comprar uma calça jeans maravilhosa que viu na vitrine de uma loja e descobre que a calça é desprovida de lycra. Eu digo pra vocês, NÃO COMPENSA nem provar a calça. Ficar passando vontade pra quê? É muito pano pra pouca bunda e o pano não vai colar nas suas nádegas. Na primeira sentada que a mulher der o tecido já empapuçou tudo. Então se ela decide levar a calça mesmo assim, a desprovida de bunda só vai enganar a si. Chega em casa, o namorado ainda tem a petulância de fazer um comentário do tipo "nossa mor, essa calça tá meio larga". Aí a mulher, no meio de uma crise da consciência ou eureka ou insight, chamem como quiser, diz: "NÃO, ela não está larga, SOU EU que não tenho bunda. Tá feliz agora?" e assim criou-se um desconforto muito grande no relacionamento da mulher com seu respectivo parceiro.
Conselho da noite: mulheres desbundadas, prefiram calças com lycra. E digo mais, com o cós alto, mas não tão alto que cubra seu umbigo. A intenção é ficar sensual ou simular a existência de uma bunda ali naquela planície. Acho que pior que desbundada é desbundada com o cofre aparecendo. Não cometam esse crime com vocês mesmas.
A despeitada bota um bojo, silicone, meia, estufa o peito ou aprende a viver com a situação. Já a coitada da sem bunda, vai fazer o quê? Nem sonhar com a entrada num grande grupo de funkeiras ela pode. Silicone na bunda? Não sei se o produto final ficará tão digno quanto mereceria. Ainda por cima, recebe apelidinhos carinhosos e a título de ilustração vou colocar aqui o menos maldoso: Fiat Uno. Jacaré também é bonitinho, né, gente?

Exageros e sarcasmo deixados de lado, me pronuncio em meu nome, sou aquela que não tem grande coisa de bunda, e em nome de todas aquelas que se sentem constrangidas de ter que subir uma escada sabendo que outra pessoa atrás a observa, se sentem constrangidas quando emagrecem e a primeira coisa que se esvai é o bumbum e por aquelas que simplesmente gostariam de ter uma bunda pra chamar de sua.
Mas ó, fica mais uma dica na noite: mais importante que bunda é ter jogo de cintura. Treinem e acreditem no potencial do seu rebolado.

20/04/2011

O show tem que continuar

Uma vez li que a vida é como Las Vegas: as vezes você ganha, as vezes você perde, mas no final você sempre leva a pior, mas isso não significa que você não se divertiu! Woody Allen teria dito isso.

Outra vez escutei no filme Lisbela e o Prisioneiro que viver é que nem andar de bicicleta: se parar cai.

E olha que tudo me faz muito sentido agora, como num poema lido no centro da cidade de Campinas que me fez acreditar que a rosa só me podia dar o seu perfume, o vento só sua brisa e o amor tudo e nada mais, aceito as definições de vida e contento-me com aquilo que cabe a mim receber.

30/03/2011

Agora! Criança é atacada por Pit Bull

Hoje, o programa Brasil Urgente, trasmitido pela emissora Band, cujo apresentador é ninguém melhor do que José Luis Datena, apresentou uma reportagem que se transcorria ao vivo com a seguinte manchete no rodapé da tela: Criança é atacada por Pit Bull. Um helicóptero sobrevoava a região, em que o garoto supostamente e inocentemente foi atacado pelo animal, sob as ordens do Comandante Amilton. Todos os dias manchetes sensacionalistas como essa são televisionadas por esse programa. O apresentador, desprovido de qualquer jogo de cintura e profissionalismo faz qualquer coisa para aumentar o seu ibope. Ele grita, faz cena, reclama e intima as autoridades, botando sempre a maior banca. Mas hoje, essa manchete exclusivamente me irritou mais que as outras. Me "emputeci" pelo fato de que seres humanos como ele e programas de baixo nível jornalístico como o dele sempre passam uma ideia generalizada negativa sobre o comportamento dos cães da raça pit bull. Me manifesto pois sou proprietária de uma linda cadela desta raça. Ela nunca agiu de forma agressiva e que trouxesse medo aos meus familiares e amigos e assim da mesma forma nunca tratamos ela com reforços negativos. Quando é necessário agir com pulso firme, a voz também se firma e nossa postura já revela o que dela queremos.
O que acontece na realidade para que as pessoas generalizem o comportamento da raça se deve ao fato de uma minoria estúpida acreditar que esses animais devem ser criados para serem agressivos e servirem de cães guarda ou serem treinados para rinhas, não passando carinho e bons tratos ao animal. Além disso, muitas pessoas adotam esses cães só para desfilar por aí com um animal bonito e bem torneado e depois que se cansam abandonam na rua, deixando-os sem abrigo, alimentação e sem boas condições de saúde. Isso não acontece somente com os pit bulls. Faço faculdade de Medicina Veterinária e no campus temos um hospital veterinário que atende toda a região e por esse fato, as minorias pensam que aqui temos a obrigação de recolher os animais da rua, cuidar de todos aqueles que foram abandonados no campus por pessoas desprovidas de qualquer senso que acham que aqui trabalha-se por filantropia. Mas não é por aí, não podem ir se aproveitando do Hospital e ir abandonando o animal de estimação. Este sofre com o abandono, tem problemas psicológicos como um ser humano e distúrbios podem se desenvolver. São animais sensientes, ou seja, que sentem também e não é porque andam sob quatro patas e não falam que merecem ser tratados como um ser inanimado. Se as pessoas recebessem mais educação e cultura ou simplesmente fossem mais interessadas nessas questões talvez não teríamos e veríamos tantos maus tratos contra animais. Se bem que as pessoas não respeitam nem os próprios semelhantes, difícil fazer um apelo em prol dos animais.
É um desafio desfazer essa imagem negativa sobre os pit bulls, mas o povo absorve mais facilmente aquilo que lhes "tacam" via tv.
A disciplina de Etologia, ciência que estuda o comportamento dos animais, nos provê uma boa base para discussões como essas. O comportamento de um animal depende de vários fatores: ambientais, psicológicos, fisiológicos, idiossincráticos, emocionais, patológicos e etc etc etc. O tratamento de um animal, seja ele de companhia ou de produção, requer tato, requer humanidade. Dependemos dos animais para quase tudo na vida: para vestir, para comer, para beber leite, para trabalhar e para gerar renda de forma geral, além de outras coisas. Dentro de uma população humana temos diversos tipos de comportamentos, pensamentos, estilos de vida, modos de pensar, temperamentos. Porque dentro do mundo animal seria diferente? Nos excluímos desse mundo? Somos bípedes e podemos falar. O quê mais? Podemos ludibriar, seduzir e maltratar os outros.
Um cachorro de qualquer raça pode ser agressivo. Fatores o fizeram ser assim. Há que se dar nome aos culpados e não culpar aqueles que foram condicionados a apresentar certas características. Ou será que o animal nasceu assim? Nunca foi um cachorrinho peludinho fofinho cheio de amor pra dar e pra receber? Pinschers são cachorros bem irritantes quando querem? Não são porque querem, são porque foram estimulados a ser; são porque estão defendendo seu território ou os seus donos; são porque possuem um comportamento de valor adaptativo; são porque precisam perpetuar a espécie e manter predadores e ameaças a distância; são porque...




Gente, está tudo errado. Do jeito que está não dá mais. Que coisa heim. Comandante Amilton no águia. Põe na tela! Agora! Criança é atacada por Pit Bull. Brasil, vem comigo, Brasil! Você também acha que o pit bull deve morrer? Ligue para (011) 8080 1155. --> É O QUE DATENA DIRIA SOBRE ESSE ASSUNTO


Mas o que você me diz?

28/03/2011

Simples assim




Tenho para mim que Monalisa não possuía as arcadas dentárias superiores e inferiores. Leonardo da Vinci a retratou fielmente, pintou sua boca murcha, e nós ficamos a estudar a Arte e a levantar hipóteses sobre esse sorriso.

23/03/2011

Máscara, outra vez

Poderiam ser borboletas no estômago, mas sei que não são. É falta de conteúdo mesmo e é queimação. Borboletas tóxicas e ela nem se apaixonou. Mas sexto sentido não falha, sorte foi ter reabastecido sua vida de omeprazol. Um dia ou outro tudo isto poderia acontecer, mas feito idiota ou cega, viveu acreditando que o amor era progressivo, como naquele velho conto do vigário: te amo mais que ontem e menos que amanhã. Deveria ter suspeitado naquele dia, depois daquele olhar, daquele aumento no tom de voz jamais escutado outrora.
Catando pedaços daquilo que um dia foi um coração ela caminha sem rumo, notícias boas surgem mas os fatos a fazem ignorá-las completamente. Impossível é fingir estar bem. Botar aquela velha máscara da hipocrisia que costumava usar diante de falsas sinceridades já não alivia mais e nem esconde a dor de estar e sentir.
Não é o fim do mundo, ela sabe que ninguém é insubstituível, no entanto faz parte do show viver a realidade de uma vida sem mentiras e sofrer por algo que se acreditou e tanto se doou. Não foi tempo perdido, mas porque passar por isso e vivenciar esse final com tamanha dor? Não encontra explicações, mas uma certeza é deveras incontestável: vai passar. Pelo menos é o que eles dizem.
Não liga se os amigos lhe aconselham a bebida, a balada, o riso... estes também passarão e de uma certa forma ela não deixa de fazer, até porque é nesse meio que ela bota a máscara e consegue aliviar-se por algumas horas.

Ela só quer gritar ao mundo que precisa de um espaço de tempo para que fique imune ao sorriso e a lembrança que hoje lhe trazem dor e a transformam nesse lixo.

14/02/2011

Estrelando José Serra como Joe



- Hey, Joe, where you goin' with that gun in your hand? Hey, Joe, I said where you goin' with that gun in your hand?

- I'm goin’ down to shoot my old lady. You know I caught her messin' 'round with another man




Tks, Jimi Hendrix

11/02/2011

Sobre emoções, saudades e lágrimas.

Não descobri ainda como mensurar as emoções. Quando eu conseguir isso, não contarei a ninguém, me tornarei eterna e dominarei o mundo!

Não sei de onde vem a saudade e não sei mensurá-la também. Só sei que se sente, as vezes uma saudadinha, outras vezes uma saudadona. As vezes sinto saudades daquilo que nem foi e que poderia ter sido.

Não sei conter minhas lágrimas, essas inquilinas da dor que, a maioria das vezes, na calada vêm, irmãs do desespero e rival da esperança.

No final das contas, saudades e lágrimas são puramente emoções. Poderia mensurar as lágrimas e um "lagrimômetro" me responderia boas questões se todos chorássemos pelos mesmos motivos. No entanto, para a minha e a sua infelicidade, as emoções não são exatas e nem podem ser tratadas com exatidão.

Idiota a gente que divide, subdivide, organiza e pinta emoções, achando que podemos carregar o fardo.

Certa vez uma professora nos disse em sala de aula: PERMITAM-SE!
E acho que foi uma das coisas mais inspiradoras e sinceras que eu já ouvi na vida.

One more time

Hoje, mas poderia ser ontem ou mesmo amanhã. Mas asseguro que foi hoje. Eu mesma vi. Ela estava lá, de corpo e sem alma. Seu pensamento focalizado em outros lugares, outras distâncias. A mesma sensação de ontem, de duas, três semanas atrás. Suas vestes cobriam seu medo e sua vergonha e embora tudo parecesse ótimo, só ela sabia a dor de estar ali. Sorrisos, abraços, cortejos, gentilezas, conversas, saudades. Tudo isto ao seu redor e nada em seu interior. Fez o seu papel, segurou a sua máscara para evitar transparecer sua angústia e embarcou, sem mesmo saber o porquê, rumo a um lugar seguro, que hoje foi a sua casa. E encontrou a sua paz ao sentir o calor do outro e a afetividade ainda que disfarçada nas linhas de expressão, no meio de um abraço murcho, mas sincero.

28/12/2010

Até breve, no amanhã.

Vivemos esperando o dia em que seremos melhores. Melhores na dor, melhores no amor. Melhores em TUDO! Sábias palavras são essas cantadas pelo Rogério Flausino, vocalista de uma das bandas brasileiras que mais aprecio desde sempre, Jota Quest.
Uma grande verdade, sempre esperamos por algo para sermos melhores. Fazemos uma promessa e estamos dispostos a pagá-la em busca de algo que esperamos que aconteça. Ou esperamos a segunda-feira para iniciar um regime.

Regime: uma ideia que nos faz acreditar em algo, seja esse algo o corpo, alma, mente, saúde... blá blá blá... SEMPRE melhor.

Ou ainda esperamos passar o natal, a páscoa, festa junina etc para agirmos de tal forma, sempre visando alguma recompensa, mudança. É sempre a mesma coisa. Nossos atos, muitas vezes, se não nos damos conta, são regidos por uma vontade que se dá a longo prazo e temos a sensação de que é necessária a peleja para ser válida. Que insatisfação que nós temos com o dia de hoje, meu Deus. Vivemos o ontem e acalentamos nossa dor com ele. Sonhamos com o amanhã de olhos bem abertos e acalentamos nossa alma. E sempre, sempre nos esquecemos que o hoje está aqui para ser vivido e apreciado. Que bendito pecado capital esse o da Preguiça. Bendito mesmo porque nos seduz e nos encanta.

Agora, estamos em 28 de dezembro do ano de 2010. Quase lá, na curvinha do ano, na reta final. E o que fizemos? Aquilo que nos propusemos a fazer? As promessas foram cumpridas? Você emagreceu aqueles quilos? Comprou a sua casa? Trocou o seu carro? Pagou suas dívidas? Estudou como queria?
Tenho certeza que não!
Mas nao precisa um antropólogo dizer o que já sabemos: somos assim mesmo, deixamos nossas esperanças, sonhos, planos na mão do amanhã.

Não devíamos fazer isso, saibam disto! Nao devíamos fazer isso com a gente mesmo pois o amanhã é muito traiçoeiro. Leva pessoas queridas, passa uma rasteira quando menos esperamos. O amanhã é incerto, e um intruso inquilino que nunca vai embora, está sempre a frente de nós, controlando a nossa vida.

Cuidado com ele.


FELIZ ANO NOVO!

14/12/2010

We wish you a merry christmas (8)

Como teria dito certa vez Leonel Brizola, Lula é o sapo barbado que virou príncipe. Deixo de antemão ao Natal, uma foto inspiradora. Para quem não acredita no bom velhinho, São Nicolau, acredite no que esse aí da foto diz. O "presentão" de Natal já ganhamos do "pequeno príncipe" e ele é válido por 4 anos. Agora, basta rezar para que não seja um presente de grego.



23/09/2010

A B S U R D O

- Natália, então você aplica insulina no Harley?
- Pode deixar, aplico sim. Pode ir dormir, mãe... boa noite.
- Boa noite.

Perguntei aonde é que estavam os materiais para fazer a aplicação, seringa, álcool e todo o resto quando o Harley me disse que não tomaria a insulina hoje. Eu, curiosa, quis saber o motivo, não entendendo muito bem a recusa que, a princípio, não fazia sentido algum. Ele me disse que não aplicaria na sexta e no final de semana mesmo e que não iria ter diferença se não tomasse hoje. Eu fiquei meio perdida e ainda insisti em saber o porquê. E eis que fico a par da patifaria que o Sistema Único de Saúde de Campinas, SUS, está.
O nosso prefeito reeleito, DOUTOR HÉLIO DE OLIVEIRA SANTOS, e sua "laia" toda decidiu fazer algumas mudanças na área da saúde e a burocratizou ainda mais. Para medir a pressão arterial, por exemplo, segundo meu padrasto, é preciso hoje passar por três salas diferentes no posto de saúde. Mais tempo que se perde para realizar algo que é tão simples, mas de suma importância. "Eu nunca mais medi minha pressão".

- Faz três meses que eu não tomo meu remédio do coração.
- Mas por quê?
Segundo ele, há um prazo que a prefeitura ou o Sistema, chamem como quiser, dá para as pessoas que necessitam de uma certa medicação para o coração. Passado esse prazo, o cidadão otário não tem mais direito de receber gratuitamente o remédio no posto de saúde, o seu nome é marcado numa relação tipo uma lista negra e você nunca mais poderá pegar esse remédio. O preço: 150 reais. Um reles assalariado pode comprar todo mês?
- Mas e aí? O que você tá fazendo sem o remédio?
- Simplesmente não estou tomando.

- Que absurdo! Mas você já foi lá e reclamou?
- Ah, já, mas sai sem o remédio do mesmo jeito. E agora minha receita venceu e eu não posso retirar os medicamentos restantes da diabetes e da pressão. Me disseram que preciso marcar uma consulta com o médico do postinho pra ele renovar minha receita e pra eu poder pegar os remédios. Só tem horário disponível pra consulta em Janeiro de 2011.


É o fim da picada, minha gente. Olha que palhaçada! É pra se indignar fortemente com essa porcaria de administração pública ou não é? Quanto veneno, quanta maldade, quanta desumanidade e corrupção. Mudanças no sistema só trazendo desconforto para quem realmente precisa. Os altos escalões dessa sociedade nunca sentirão os efeitos negativos dessa política pois são, efetivamente, eles quem se beneficiam com o sofrimento alheio.
Vale muito mais a pena tratar o indivíduo quando ele vier a adoecer e ficar debilitado do que se investir na prevenção e no tratamento de doenças que acompanharão o ser pra sempre enquanto este puder viver, como é o caso da diabetes, da pressão alta. Segundo essa visão meramente política e econômica, economiza-se muito mais, ganha-se também muito mais enquanto puder negar direitos básicos pra uma população desorientada, sem muito o que fazer e sem grandes poderes.

Está tudo às avessas. O Harley, e este simbolizando o povo que precisa de remédios nesse momento, deveria chegar até o político e dizer: sou eu quem te pago, seu merda, então trabalhe para mim e não contra mim. Do contrário, esteja demitido.

Mas, não é assim que as coisas funcionam mesmo. Como diria o meu avô, tem horas que eu acho que o mundo deveria explodir e começar tudo denovo. Mas faço um adendo, as macieiras não deveriam aparecer com a evolução. Só pra evitar que uma outra Eva coma o fruto proibido...

03/09/2010

Pra rir (ou pra chorar)

Cameron Brasil (atriz pornô),
Maguila (lutador de boxe aposentado),
Tiririca (humorista(?) e cantor de florentina de jesus),
Marcelinho Carioca, Dinei, Vampeta (jogadores de futebol),
Mulher Pêra (mulher cuja aparência física lembra uma pêra, nada mais),
Netinho de Paula (cantor, apresentador, covarde que bate em mulheres),
Paulo Maluf (dispensa comentários),
Dilma (comparsa do lula),
PCO (partido da causa operária),
ey ey Eymael (um democrata cristão).


SÓ GENTE BOA!
Fico contente que o país conta com uma gama de candidatos preparados, instruídos e conscientes como esses aí!



(8) Tô chegando no Senado, pra curtir com a cara da galera
[...]
Pede pra Dilma me mandar o fax que a grana vai durar até tarde
E avisa o Maluf que tem pra ele à vontade (8)

29/07/2010

Uma grande família

Qualquer data aqui em casa é motivo pra se reunir. Cada reunião acaba virando uma festa. Cada um traz uma coisa, incluindo-se aí um quilo de carne, um fardo de cerveja e a respectiva e ilustre presença. Momentos assim me fazer lembrar de uma música do Gonzaguinha, aquela que diz: Pode chegar que a festa vai é começar agora/ E é pra chegar quem quiser/ Deixa a tristeza pra lá/ E traga o seu coração/ Sua presença de irmão/ Nós precisamos de você nesse cordão.
Cresci no meio da batucada, no meio de "sessões martírio" como diz minha vó quando meu avô começa a tocar violão e a cantar acompanhando o seu som, no meio de familiares queridos, sinceros e que não dispensam uma cervejinha gelada, um churrasquinho e um pagodão.
Aqui em casa é assim, chegou com humildade, não olhou com soberba, tirou os sapatos, é dos nossos. Aqui temos muitas palhaçadas e boas histórias pra contar. Barracos da prima desbocada, palavrões de um avô fanfarrão, primo mais novo correndo pra lá e pra cá, uma tia dramática, tios engraçadões e escandalosos, vó boleira/doceira/cozinheira de mão cheia, irmão contador de histórias e de algumas vantagens que não assume ter sido são paulino na infância... esses são só alguns dos integrantes dessa grande família. Não tem tempo ruim aqui, se chover e o rio encher, que é que tem? Se o nosso time perder? Aí o bixo pega, a galera vira técnico de futebol nas horas vagas e em ocasiões não raras como a do nosso centenário time perder. Mas tudo bem...
Independente das mazelas dessa vida, da nossa macaca véia sem vergonha e de outras cositas más, aqui a festa está sempre a começar e não queremos ver ninguém dispersar.

02/06/2010

Sobra tanta falta

Depois de muitas tormentas, cansado de todo o mundo desmoronar sobre a sua cabeça, cansado de guiar tudo praticamente sozinho nessa vida, cansado de se preocupar com aquela que gosta e que muito lhe tem machucado, chegou o dia em que O Velho Lobo do Mar decidiu entregar o seu manche para algum marujo qualquer que tivesse a capacidade de levar o navio por entre aquelas águas turvas que os dias de especificamente hoje trouxeram.

Não posso mais suportar tudo isso.

Lavou suas mãos e assim também o seu rosto. Lágrimas escorriam e a medida que caiam por sobre sua face pareciam formar sulcos que lhe conferiam cada vez mais e mais aparência de dor e cansaço.
Sem falar no seu coração. O Velho Lobo do Mar mal sentiu seu coração bater nesse dia. Ele despedaçava-se a cada batida naqueles últimos instantes e a cada revelação. Toda a sua dureza de anos esmoreceu bem ali, na frente de todos. Nunca dantes, em tais mares, se viu tamanha tristeza. O mar, que costumeiramente sussurava palavras assombrosas durante a noite, passou a declamar uma elegia.

Acabou para mim.

01/06/2010

As "vantagens" de ser homem

1) Os homens fazem xixi em pé. Sua anatomia os favorece. Não escorre pelas pernas. Pode-se urinar em qualquer lugar, a qualquer hora, sem muito esforço e preocupação, uma vez que são machos e suas ações somente reafirmam a macheza.

Nós mulheres, ainda que portadoras de outras características um tanto invejáveis, tais como inteligência, poder de sedução e muito charme, ainda temos que nos equilibrar em banheiros públicos, pois sabe-se lá Deus quem é que pôs a bunda ali naquela privada.

2) Os homens não menstruam. Não sentem cólicas mensais também. Não necessitam fazer uso de absorventes por consequência. Não se sentem orcas baleias assassinas e tampouco perdem uma semana de cada mês com stress desnecessário e choramingando enquanto assistem a um singelo comercial de margarina (obs: a princípio, tudo isso sem motivo aparente).

3) Homens não ficam grávidos. Não ficam encanados. Não precisam tomar remédios, pílulas e etc.

4) Homens são e poderão ser sempre galinhas. Galinhas para ELES, nesse mundo, é o mesmo que gostosão, pegador, alazão, fodástico, comedor! Não preciso dizer que o mesmo adjetivo ganha sentidos mais amplos e antônimos quando pertence às mulheres.

Nós, temos que ser boas moças, ou pelo menos é isso que a sociedade correta nos impõe. Se somos ou não é outra coisa e na verdade, depende do que queremos para a vida.

5) Homens não precisam fazer a barba, nem depilar suvaco, região pubiana e pernas.

Vocês podem imaginar a dor que é puxar, com tudo, uma região sensível do seu corpo e receber como prêmio algo como um troféu de honra ao mérito feito de latão? Nada mais do que a nossa obrigação...

6) Homens podem roer a unha, ter o pé feio/fudido.

7) Homens podem suar, falar besteira, cuspir, arrotar e soltar pum.

Mas calmaê mulherada, para falar a verdade, ainda que eles tenham tantos pontos de vantagens acima de nós, todas hão de concordar comigo que não existe nada mais gratificante nesse mundo do que ter o prazer de ver o quão bobos eles conseguem ser/parecer/ficar diante de nós quando chegamos a um lugar. Essa sensação de que paramos o mundo vale muito mais do que poder fazer xixi em pé. E no final das contas, compensa passarmos por depilação, cabeleireiro, malhação...
Esse charme e também a nossa inteligência, homem nenhum consegue competir à altura.

11/05/2010

Téquinfim!

Essa eu recebi por email!


No Pátio da penitenciária no interior de Minas:


A diretora pega um megafone e anuncia:


"Prestenção cambadivagabundu, chega di moleza! Quero todo mundevassora na mão limpandesse chiquero que ocês mora. Quero tudo bem limpinho modi qui amanhã nóis vamo receber u Presidente Lula"



Um preso comenta com o colega ao lado.

- TÉQUINFIM PRENDÊRO O FIADAPUTA !

10/05/2010

Um livro sem final, um livro sem final (8)

- Alô? Éée... você pode vir aqui na minha casa?
- Poosso. Maaas... .... por quê?
- Ahh, é que preciso falar com você.

É aqui, dessa ligação, que tudo mais ou menos começa, pelo menos a reta final que levou ao início de tudo. Menos de 5 minutos e lá estava ele, ofegante, com cara de preocupado e ao mesmo tempo curioso. Ela abriu o portão, meio sem jeito, e perguntou se ele queria entrar e quem sabe tomar uma xícara de café. No final das contas foram até um simpático trailler que vendia o cachorro quente sem purê mais gostoso da cidade de Limoeira. Um número seis completo sem salsicha com ovo, por favor. Ele a observava e de certo supunha milhares de coisas que ela poderia querer dizer a ele, ao mesmo tempo em que ela bolava a melhor forma de dizer a ele o que tanto precisava. Eram sentimentos confusos, difusos, inesperados. Não existia uma melhor forma de dizer algo que nem ela, a dona da questão, sabia muito bem. Situação tensa.

Enrolando-o por algumas horinhas, correu o tempo do lanche ficar pronto, esfriar e quase entrar em processo de decomposição. Após o chove-não molha, ela tomou a coragem suficiente para parar de falar besteira e coisas sem sentido, foi direto ao assunto dizendo a ele palavras que alavancaram a situação para um estágio muito, muuuito mais, complicado.

No linguajar popular eu diria que ela abriu o jogo, mandou a real, deu a idéia, jogou o verde querendo colher o maduro. Ele esboçou reações. Reações mais inesperadas que todo aquele sentimento vindo dela: suou frio, tremeu, os seus lábios secaram, a voz quase sumiu. Enquanto isso borboletas voavam alvoroçadamente no estômago de ambos. Se a bomba já tinha sido jogada na turbina do avião o que fizeram depois disso? Bem, não houve melhora na manifestação fisiológica dele: continuou a suar tremer horrores lábios rachados rouco. Nela, a sensação de alívio lhe caía otimamente bem.

Nesse dia que eu não consigo me lembrar precisamente a data, talvez o mês... junho? sei lá, só sei que foi em 2008, duas vidas, a dele e a dela, se cruzaram depois de: 1) uma ligação inusitada, 2) uma conversa estranha permeada de risadas, piadas sem graça e assuntos aleatórios, 3) uma revelação e finalmente 4) um doce primeiro beijo.

Essas vidas permanecem unidas dentro do coração deles até hoje, os caminhos é que foram pra lugares diferentes. Um caminho dobrou a esquerda, lá em Lugar Nenhum, e o outro caminho foi pra Ilha Rá-Tim-Bum. De vez em quando uma vida volta para perto da outra, seguindo o rastro de pão que deixou para marcar a trilha.

Eu, que escrevo e participo dessa história, só desejo que em outro dia, que poderá ser tão emocionante e cheio de surpresa quanto aquele que contei agora pouco nessas linhas, esse rastro de pão não seja comido por passarinhos famintos e que um novo caminho não leve a vida dele pra longe da dela.

23/04/2010

Cóf cóf

Quanta poeira neste blog, meu Deus!
Prometo que terei inspiração em breve.


28/02/2010

In the sky

O que é despedir-se? O que caracteriza uma despedida? Um abraço, um aceno de mão, um abaixar de cabeça?
Dizer adeus, por mais simples que pareça ser, carrega consigo um algo mais tão difícil de se ver e de se sentir, que é mais complexo do que apenas dizer tchau e que geralmente não nos damos conta. Pense que um abraço pode ser o último, aquela troca de sorrisos e cumprimentos podem ir para um outro lugar, além da imaginação. Dói pensar em fatos reais, dói visualizar essa realidade. Perder alguém... perdemos a todo momento. Passam-se os minutos, o relógio da vida segue o seu ritmo por vezes muito frenético, por outras tão lentamente e tão cheio de constância que parece durar uma eternidade. Pessoas queridas se vão deixando saudades e podem ir em qualquer um desses momentos.
Prever o futuro não está ao nosso reles alcance, portanto uma despedida acontece assim, sem que imaginemos.
Prolongar um momento, uma sensação, um sentimento pode acontecer se pudermos e soubermos sempre ser e dar o melhor de nós, deixando aqueles que amamos confortáveis e cientes do nosso amor, do nosso afeto. Acredito que se jogarmos limpo com a gente mesmo, se conseguirmos ser transparentes não há mágoa que permaneça, não há ressentimentos nem tampouco arrependimentos e as únicas ressalvas são para dizer palavras bonitas para aqueles que deixamos aqui ou deixamos partir.
Despedi-me de muitas pessoas queridas nesses últimos dias, algumas não pude fazer como planejado, que era rever e dar aquele abraço apertado ou simplesmente dizer um alô. Espero ter a compreensão daqueles que faltaram e aproveito para escrever que sou muito grata pela torcida de todos os meus amigos e que sou nada, repito na-da, sem cada um na minha vida.
Adios, muchachs :) Estou alçando voo...

24/02/2010

Aos Trampos e Barrancos

Está na luta, no corre-corre, no dia-a-dia
Marmita é fria mas se precisa ir trabalhar

Essa rotina em toda firma começa às sete da manhã

Patrão reclama e manda embora quem atrasar
Trabalhador,
Trabalhador brasileiro!

Dentista, frentista, polícia, bombeiroTrabalhador brasileiro!

Tem gari por aí que é formado engenheiro
Trabalhador brasileiro,
Trabalhador!

E sem dinheiro vai dar um jeito,
Vai pro serviço...
É compromisso, vai ter problema se ele faltar.
Salário é pouco, não dá pra nada
Desempregado também não dá

E desse jeito a vida segue sem melhorar...
Trabalhador,
Trabalhador brasileiro!

Garçom, garçonete, jurista, pedreiro
Trabalhador brasileiro!


Trabalha igual burro e não ganha dinheiro
Trabalhador brasileiro,
Trabalhador!


Meu nome qual é?
Meu nome é trabalho,
Mas estou ferrado...
Afim de um cascalho, vou pra todo lado
Me sinto um pirralho, chorando um bocado
Vê se quebra o galho, doutor
Estou desempregado.

Me arranja um trabalho, doutor
Esstou desempregado...


Obrigada pela linda letra e música, Seu Jorge. :)
Fotos COTIL ARTE 2009. 2º lugar Coreografia Grupo.
Natália, Marcela, Rayanna, Bruna, Thania, Flávia, Caio, Joydson.


23/02/2010

Pretinho básico




Dave Grohl, você é o colírio para os meus olhos *-* (sorry, pichu)


22/02/2010

Geração cheira-merda

Campinas, minha cidade, grande e poluída, de passado glorioso e com sua história e seus barões, foi um dia um bom lugar para se viver, segundo meus avós, meus pais e outras pessoas que falam com brilho no olhar quando se lembram da infância correndo em algum largo, brincando de Mãe da Rua, Queimada e não existia perigo e a história do homem do saco era só por precaução. Foi um dia um bom lugar para se viver e escrevo isso pois andando pelas ruas só vejo jovens enfadonhamente iguais e sei que infelizmente são estes quem farão o futuro por aqui quando a velha guarda virar pó de estrela.
Noturnamente alguns jovens viram homens-aranha dos altos e bonitos edifícios do velho centro da cidade para competirem entre si e suas gangues sobre uma onda suja e feia que é a pixação. Sua ideologia sem fundamento e sem caracterização de beleza alguma se espalhou como um vírus letal pelos quatro cantos dessa cidade. Vergonha alheia eu sinto quando ao caminhar por aí avisto aquelas letras mal reproduzidas manchando toda uma história. Pobres de espírito, gostaria de saber qual deficiência afetou as suas medíocres cabeças. Será que foi a mamãe ter passado muito a mão na cabeça ou o papai ter faltado com aquela surra bem dada? São somente suposições.
Sou jovem também, tenho minhas futilidades, mas diferentemente dos muitos jovens que me cruzam na calçada, num show, no shopping ou em qualquer lugar enfim, sinto que uso minha cabeça para algo além de porta-boné. Me parece que ninguém está mais comprometido com alguma causa social, com um ideal, um propósito que seja. A Deus dará , ninguém pertence a ninguém, a moda agora é namorar pelado, trocar de parceiros como se troca de roupa, contrair doenças, usar droga para ser legal pra uma turma e assim onerar o sistema único de saúde com seus problemas, suas doenças que poderiam ter sido evitadas. Anarquismo pessoal, os aborrecentes, a geração corta e cola sabe da sua vida, é dona do seu nariz e não aceita pitaco dizendo com desprezo: Grandes cabaços esses nossos avós, esses velhos todos e todo o mundo!

12/02/2010

Sadness .-.

Acordou com sono, quis que fosse cedo pra poder dormir mais um pouco e fugir de uma coisa inevitável o maior tempo que pudesse, acreditando que debaixo do edredom, embora fizesse calor, nada a afetaria. Mania de criar ilusões pra tudo nessa vida, desde pequena o edredom funcionava como escudo para o bicho papão e a escuridão de lá de fora.
Já era tarde da manhã. O celular tocou. Uma notícia que deveria ser boa a despertou de vez. A mesma notícia a impulsionou para fora da cama, fazendo-a pensar no que deveria fazer e em quanto tempo, para que tudo cronometradamente desse certo e a levasse ao seu destino final do dia. Tomou banho. Comeu sucrilhos. Pintou umas coisas para seu avô. Assistiu um pouco de televisão. Viu notícias sobre o seu time de futebol. Almoçou. Hora de dar tchau. Pegou o ônibus das três que passava na pista em frente da saída do condomínio de chácaras onde seus avós moravam. Chegando em casa então ela chorou. Chorou só, juntou tudo aquilo que a engasgava fazia tempo e não fazia bem, botou pra fora. Mas não botou tudo, guardou o restante, continuou a se martirizar ao longo da noite, com choros abafados e escondidos.

Mágoa antiga deixa a gente pra baixo.
Eu sei bem como é.

10/02/2010

Pódi lê mais leia mesmu!

Ressebi um imeiu essis dias atrais sobri komu seria ci a jenti escrevessi do jeitu qui a genti falassi ou quizeci. Penssanu nissu, xeguei a concluzaum di qui seria muitu complikadu purke por ezemplu a genti ia iscreve i le comu a genti fala daí nâum ia tê pauza pra respirá i nem pra nada né genti? Otra coiza qui ia ce dificil é qui a genti ia podê screvê du jeitu qui a genti bem intendeci e du jeitu qui a genti kizeci entâum ia se dificil di le purke num ia te um padrâum pra todu mundu converssá sivilizadamenti nas carta nus imeiu i nu qui quizé i até ia podê skrevê varias palavra du geitu ki achaci qui tava bom. axu bastanti dificil tameim purke dessi geitu ningueim mais ia querê i pra skola i si du jeitu qui tá já ogi im dia qui ningueim mais pratikamenti ja num qué i mais pra skola imagina ci deci novu jeitu ia querê i pa ficá aprendenu coiza qui num faiz muitu sintido neça vida i nem in otras vida qui a genti num vai uzá mesmu. é deci geitu eu axo qui num vai dá muintu sertu intâum acho melhor qui as peçoa continue inu nas iskola mesmu qui ceja publika da vida ou si tivé um poko mais di condissâum numa skola paga mes qui é pra genti podê ci intendê preci mundâum afora qui tá pricizanu di genti boua i studada i competenti pra mudá essi quadru ssoçial dadaísta que estamos todos vivendo!

04/02/2010

Pipoca ÁÁ

Continuando a minha saga dental estava no ponto de ônibus, aguardando o 249, um senhor vendedor de pipocas se aproximou.
Com cara de gatinho do Shrek as pipocas me olharam. Que olhar mais doce! *-*
DUAS por 1 REAL! Que maravilha! Por pouco não voltei a pé.
Enquanto como penso que tenho grandes coisas a fazer esta tarde. A principio, nesta manhã, devo lavar louça, em seguida, preparar alguma coisa pra eu almoçar. Penso em tirar uma soneca após isso e quiçá acordar para fazer alguma grande coisa.

Dentista 2

Sentei à espera da minha vez. Li revistas, apreciei o sol quadrado pela fresta do vitrô, verifiquei o hálito. Minha hora.
Larguei a reportagem sobre alcoolismo e ao andar pelo corredor desejei estar bebendo uma cerveja, comemorando a minha aprovação no vestibular! Mas sonho que se sonha só é só sonho. Voltando à realidade ouvi elogios.
Que dentes bonitos. Está passando o fio dental direitinho. Muito bem, tá tudo certinho. Vamos marcar uma limpeza então?
Alegria de pobre dura pouco mesmo.

Limpeza nãããooooooooooooooooo!

Marquei para semana que vem.
O ranger daquele "ferrinho", aquele tiro de bicarbonato de sódio que parece o "Jato pressurizado de água que desintegra qualquer sujeira!" (Multi Hidro Lavadora Karcher e não tô recebendo pelo merchan)... oh my God.
O problema, na vida, de se estar tudo bem em qualquer momento, tanto com seu corpo, sua mente e assim também com os seus dentes é que sempre podemos melhorar. Seres mutantes insatisfeitos esses seres humanos. Agora, o próximo passo para um sorriso impecável é um aparelho!

Dentista

Não há nenhum profissional que cause mais medo, que seja mais evitado, por vezes odiado, que um dentista.
Só o tilintar de seus espelinhos redondos na extensão de nossas sensíveis bocas e dentes já causa um pânico, tipo um pressentimento do pior que sempre está por vir.
Porque há que se fazer sempre algo mais pelos seus dentes? Porque temos que visitá-los de 6 em 6 meses?
Nunca se está boa a escovação, o fio dental deve ser passado assim e assado. Eu já sei.
Aquela sala branca, aquela poltroninha reclinável que não é do papai, aquele barulhinho de água que desce pelo cano e também o seu guspe sendo sugado por aquele caninho de nome nada menos criativo que sugador... que terror!
Tenha a santa paciência, porque não temos dentes de aço? De ouro, que não se oxida assim tão fácil uma vez que sua capacidade de oxidação é baixa (tô ouvindo os "ÓÓs" por essa explicação?)?
Não, não quero explicações de um porquê, eu sei deles, só estou tentando reclamar mais um pouco e ser dramática diante de uma simples ida ao dentista.
Dentistas, simplifiquem as nossas vidas, chega do motorzinho, comprem maquininhas a laser! Não mintam pra nós dizendo que não vai doer nada e que é só uma picadinha! Se bem que se disserem o contrário pode ser pior... pensando melhor, eu não sei mais o que dizer e nem o que eu já estou dizendo.
Já passa das 3 da manhã, tenho consulta logo cedo e ainda estou aqui.
Sem mais lamentações, vou escovar os meus dentes e dormir feliz, pois meu time ganhou!

01/02/2010

Dúvida cruel

Essa minha incessante mania de ponderar as coisas e fazê-las da forma mais sensata já acabou uma vez comigo, não quero me deixar levar denovo pelo que não devo nem começar, aquilo que não me aquece o coração, mas acalenta a vontade de outrem. O maior desafio agora é entender o que vem de dentro e fazer uma escolha sem imaginação e contos de fadas.

Para onde vão as borboletas quando chove?

25/01/2010

Será que eu escutei o que ninguém dizia?

Sinto-me inanimada na igreja, por isso deixei de frequentá-la há alguns anos. Muitos motivos me levaram a tomar essa decisão. Aquele folhetinho contendo todas as respirações e ações que os fiéis devem fazer me parece script de uma novela sem emoção e que aos poucos perde toda a sua audiência. Eu não enxerguei durante anos a hipocrisia que muitos levam às missas e consigo sempre. Afirmam, no clímax da celebração, nos adesivos de seus carros, nas imagens em carteiras, pingentes em colares, camisetas, fitinhas etc que Jesus Cristo é a salvação, é amor, é paz, é ajudar e amar o próximo. Mal saem da igreja, lá dentro mesmo, olham com desprezo aquele mais humilde nas suas roupas, aquele que não pôde levar um lanchinho para compartilhar com os outros no final da missa.
Como dizem que os fiéis é que são a igreja, prefiro ser fiel sozinha, acreditar no que me convém e praticar aquilo que me deixa feliz e me traz paz ao espírito, ao ter que compartilhar o mesmo ambiente que outros "seguidores fiéis", ouvir palavras de outro ser nada exemplar, arcaico e que fala em aramaico e não faz o mínimo esforço de ser verdadeiro ao seguir o seu roteiro imutável.
Também não me sinto a vontade em um lugar que me imponha a frequência, cuida dos meus atos, me proibe ser livre, segregando-me aos poucos das outras pessoas, amigos antigos, família e círculo social por me fazer escrava da fé, da igreja, do culto. Não aprecio os pastores, roucos de tanto gritar, ricos de tanto roubar.
Eu, como jovem estudante e ser humano pensante provido de inteligência, sei bem como a instituição sacra, igreja católica, se firmou. Repressão, injustiças, punições marcaram essa história de propagação da fé. Sei também que outras religiões foram criadas posteriormente para tentar mudar alguns conceitos e formas de evangelização. Por enquanto nenhuma dessas me apetece. No auge dos meus dezenove anos, concordo com Nietzsche quando ele diz que "a religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas". Fiz catequese, primeira comunhão, crisma. Porém cresci, mudei um pouco, enxerguei algumas coisas que não me agradaram, passei a rejeitar injustiças e fico maluca com cabrestos.
Respeito o semelhante e seu livre arbítrio de ser o que quiser, seguir a quem deseja, manifestar a fé que seja, no entanto...

EU NÃO VOU ME ADAPTAR, ME ADAPTAR!
NÃO VOU ME ADAPTAR!
Eu não vou me adaptar!
Não vou!
Me adaptar!... (8)

21/01/2010

Crescer, entender.

Logo que nasceu já estavam todos de braços abertos, principalmente o Pai que parecia ter acabado de fazer um golaço e saía comemorando pelo campo de braços abertos como se fosse o Cristo Redentor. Dizia que ensinaria o filhão a jogar futebol, pegar a mulherada, estaria presente no primeiro porre e essas coisas de macho tão bobas. O uniforminho do time do coração foi o primeiro presente, depois uma bola de capotão, o primeiro jogo no estádio - no colo, a chuteirinha... Vocês precisavam ver a festa de aniversário de 1 ano. Toda decorada no melhor estilo boleiragem, bolo com mini jogadores e aquele monte de amigo tiozão do serviço que nem filhos tinham ainda. Todo mundo ali, bebendo e comemorando. A criança mesmo, coitada, não tava entendendo nada.
Foi tratado como macho, ganhou uma coleção de carrinhos de dar inveja ao Ken, bolinhas de gude e algumas especiais feitas de ferro, que só ele tinha, pião, ioiô do modelo mais descolado que se tinha no mercado. Quem disse que adiantou alguma coisa. Mas calma, melhor deixar para depois.
Já que o papai foi pra roça e a mamãe foi passear, quem cuidava era a vovó. Paparicava, dava leite com pêra e ovomaltino para o pinduquinha da Vovó. Cheios de dedos, ninguém permitia que ele brincasse na rua feito uma criança normal. Porque se sujasse faria mal, porque o homem do saco leva embora, porque esses meninos que ficam por aí são um bando de marginalzinho que a mãe não tá nem aí.
Na escolinha passou a ter aversão a brincadeiras agressivas, preferia desenhar, cantar musiquinhas, ser o marido quando as amiguinhas brincavam de boneca. Homem que é homem sabe que menino que brinca com menina quando é criança tem forte tendência a não ter volta. E nesse caso, ser o marido não conferia nada sexual, apenas era o que ele gostava de ser e com quem ele gostava de ficar. Ao lado das meninas ele se sentia protegido num mundo encantando, com little ponys, sem machucados no joelho, sem brigas e boladas. Sentia-se aninhado, assim como vovó o deixava, assim como a superproteção materna o criara.
O paizão não entendia aonde errara quando via certos comportamentos do filhão e seu péssimo relacionamento com uma bola de futebol, com o joguinho de luta, com os primos mais velhos que pentelhavam e quebravam vidraças e brigavam e eram superativos enquanto o filho ficava ouvindo a conversa dos adultos, das primas na faculdade...
Com o passar dos anos o filho do papai não entendia como a vida funcionava. Nunca dantes pudera ver a realidade por si só e se entender. Discriminação foi uma nova palavra e um novo conceito que passou a sentir na pele. Soube encontrar algumas respostas para o que chamava viver, encontrou a sua tribo, superou o conceito da discriminação, bateu de frente com essa palavra e passou a sentir orgulho de ser o que era. O primeiro porre o Paizão não viu, foi numa boate. No meio da bebedeira contou o quanto se sentia preso, o quanto odiava a pressão sobre ele, as perguntas indiscretas de seus pais. Aprendeu a beber, a fumar, a se vestir de maneira peculiar. O filhão cresceu. Pode-se dizer que se libertou, deixou de ser uma pupa para virar uma belíssima borboleta.
Seus pais mal conseguiram ouvi-lo dizendo que se assumira - Pai, Mãe, sou gay - e que agora namorava alguém que gostava muito e o entendia e completava. Ainda bem que mamãe faleceu, ela não suportaria ouvir o seu netinho que ela cuidou com tanto carinho dizer tal coisa, a Mãe disse.
O Papi calou-se tal qual a multidão do estádio fizesse 1 minuto de silêncio em respeito a alguma causa nobre. Abriu os seus braços de Cristo Redentor e perguntou aonde é que tinha errado, meu Deus, enquanto olhava para o céu e falava com a sua fé.

17/01/2010

Minha Gangue Adolescente



E essa era a minha gangue. Mal acordávamos de final de semana já estava uma chamando a outra pra sair até que a gangue estivesse completa. Depois de reunida escolhíamos o "point". A calçada da casa da Michele era um dos points preferidos. Depois tinha a esquina da Ana Maria, minha vizinha, que era o ponto mais estratégico para se observar o movimento do "bairro" (entende-se aqui como o movimento de quem nos interessava). Teve um tempo que dançávamos axé na sala da minha casa, teve um tempo que subíamos na árvore e passávamos o dia inteiro urubuservando qualquer coisa abaixo e ao redor de nós e quando o ônibus passava na rua e balançava a árvore era a parte mais legal da brincadeira.
Vivíamos brincando na rua, sempre de chinelo, o que resultava em pés sujos no fim das tardes, com tiras pretas de sujeira marcando as tiras da havaiana, vivíamos jogando vôlei ou "tóquinho", ocasionalmente jogávamos "Bets" e fatalmente alguma integrante da gangue brigava com outra (no caso eu e a luana haha) e subíamos quase chorando pra casa (pensando: vou contar tudo pra minha mãe). Vivíamos jogando conversa fora, falando de esmaltes, bicicletas, garotos... (e como falávamos desses últimos)
A primeira sempre sonhou com um príncipe encantado, sempre mais velho e popular. A segunda se reservava para aquele que atendesse suas vontades e estivesse sempre aos seus pés. A terceira sabia de garotos mais que todas nós, ela já tinha namorado e sabia bem do que falava, mas sofria por causa de mais um e a última vivia a chamar a atenção de todos eles.
Aii essas paixonites adolescentes...
Engraçado pensar naquela época e imaginar as situações e sonhos que tínhamos.
A primeira conseguiu o seu príncipe encantado. Mas logo o perdeu.
A segunda se ajeitou também.
A terceira sempre deu um jeito.
A quarta fez tudo o que tinha vontade.


Parei de fazer meus desenhos e minhas charges, paramos de enviar cartinhas umas pras outras. Hoje pouco nos vemos. Não vamos mais juntas na feira de quarta e nem no Unimart de sexta. Não compramos nunca mais chupchup na Dona Maria e nem mais cachorro quente na Dona Lurdes.
A história de nós 4, (8) eu com ela, eu sem ela, nós por cima, nós por baixo (8), foi intensamente boa. Sempre que nos reunimos, ou melhor, nos encontramos por aí e relembramos nossas aventuras e desventuras, temos ataques de saudade e histeria.
Mas o problema é esse tempo que voa!

Essas nossas desculpas esfarrapadas...