22/05/2013

O Escafandro e A Borboleta

Eu não fazia ideia do silêncio que me aguardava, mas sabia que o encontraria. Só não sabia que um olhar seria capaz de dizer mais do que eu imaginava...

Lá estava ele, imóvel, quase petrificado. Outra pessoa, menos alegre, menos forte, porém vivo. Vivo ali comigo, naquele momento, vivo ali todos os dias, vivo dentro dele mesmo desde sempre, vivo com seus pensamentos, que devem ser muitos, e vivo com sua vontade de viver, vivendo na uti de um hospital público, há mais de cinco meses, sem poder ver o sol nascer ou morrer, sem sentir a brisa de um dia qualquer em seu rosto...

Eu, que havia perdido a fé na vida, hoje tive uma prova de que ela move montanhas e que de fato, milagres acontecem. Eu vi um milagre bem na minha frente hoje. Um milagre que timidamente piscou, que timidamente me olhou, que timidamente se movimentou, mas que brilhou tanto quanto o sol diante dos meus olhos. O milagre é o Gui. É ele estar vivo, depois de tudo o que ele passou.

Pouco chorona, não consegui ser forte o tempo todo e embora eu quisesse ficar ali firme com ele, não pude suportar por muito tempo. Lembrei da época em que brincávamos na rua cinco, aquele menino jogador de bola, empinador de pipa, torcedor convicto da macaquinha, bonzinho demais, gente fina, que se tornou um bom homem, bonito, forte... E ele ali agora, naquela situação... 

Ao sair de lá, minha cabeça não parava um minuto, além de lembrar de tudo isso e muito mais, lembrei de um livro que marcou muito a minha vida, que dá título a esse texto. O Gui vive enclausurado em si mesmo, assim como viveu Jean Dominique Bauby, a pessoa que com o piscar dos olhos escreveu esse livro. Fiquei pensando nas coisas que se passam em sua cabeça, no seu sofrimento, na sua vontade de viver. Pensei em sua família, pensei muito neles. É um mar de dor, uma imensidão de dor que não tem fim... 

Não somos nada, ninguém é melhor que ninguém neste mundo, pois basta um momento, UM MOMENTO, para que tudo o que você tinha vá embora e você pode estar dependendo de outras pessoas, você pode perder tudo o que você julgou mais importante até agora e do dia para a noite simplesmente não ter mais nada. E de que adiantou toda soberba? Toda má educação? Todo o desrespeito para com o próximo? Tanto egoísmo? Tanto julgamento? DE QUE ADIANTOU TUDO ISSO? 

Diante de uma situação como essa eu repenso toda a minha vida, me julgo muito fútil diante de certas coisas e me volto pra mim mesma e para as pessoas que eu convivo e me dá vergonha de ver o quanto reclamamos desnecessariamente. Mais da metade dessas pessoas não têm motivos para reclamar, reclamam apenas por não terem nada melhor para fazer... Eu não posso suportar de hoje em diante que reclamem da vida, não posso, ainda mais depois do que vi hoje. 

Uma pessoa, que alguns diriam estar inválida, tem lutado muito pra se manter viva, aos trancos e barrancos e não parece desistir diante de todas as dificuldades e promessas terríveis de morte, amputação de membros entre outras predições sem fé... 

Para mim, ele é a borboleta voando e todo o resto é o escafandro.

Força Gui! Você vai sair dessa, eu não tenho dúvidas. 

03/05/2013

Aposto o oposto

Ela é só uma menina. Uma menina que um dia perdeu a fé na vida.
A menina que perdeu a fé na vida continuou a viver seus dias, tão nublados como antes, tão quentes ou tão frios como sempre, tão altos e tão baixos e não estranhou que coisas ruins acontecessem, afinal, essas coisas sempre aconteceram.
A menina não foi apedrejada, queimada, enforcada ou teve sua cabeça cortada em praça pública quando perdeu a fé na vida. Ela descobriu que perder a fé não é pecado e não merece castigo e que toda essa forma de encarar os fatos, dizendo que tal coisa é pecado e merece punição não pertence a sua natureza inata.
A menina perdeu também parentes queridos cedo demais, de maneira trágica demais, sem explicações que pudessem confortar o seu coração.
A menina que perdeu a fé na vida, mas que um dia ainda a tinha, não foi salva por essa dita cuja, nem os seus queridos foram curados, depois de tantas orações e pensamentos positivos feitos por ela e por outras milhares de pessoas. Essa fé que ela tinha, não impediu que todos aqueles de quem ela gostava muito, citando especialmente os seus pais e seus avós, sofressem diante de certas coisas, afinal de contas, é a vida, não é mesmo? Essa vida brincalhona pregando peças em nós...
Disseram pra ela "Hey, você não pode perder a fé em Deus! Deus é vida!". E ela não entende o porquê disso tudo...

Mas como eu disse, ela é só uma menina. Uma menina que perdeu a fé na vida.

14/04/2013

Carne suína e cisticercose: qual o verdadeiro risco?

Em meio aos meus estudos de Zootecnia de Suínos, me deparo com a seguinte questão: "Carne suína e cisticercose: qual o verdadeiro risco?".
Cursando o quarto ano de Medicina Veterinária, tenho total condição de responder a essa questão de forma adequada para quem quiser ouvir. Estou até cansada de ter visto tanto assunto referente a esta questão ao longo de muitas disciplinas até agora. No entanto, parei para pensar e achei justo compartilhar o meu conhecimento.
Os brasileiros, de maneira geral, dos mais esclarecidos aos leigos, têm um preconceito muito forte com a carne suína e digo o porquê: eles associam o suíno ao animal de antigamente, o porcão gordo que era criado na lama, alimentado com restos de comida (lavagem). Esses animais eram produzidos com o propósito de produzir banha e sua genética lhe dava essas condições, tendo baixo rendimento de carcaça e muita deposição de gordura. Porém, todo esse cenário e toda essa genética mudou. Quando você vai ao supermercado e compra carne suína, ela, na imensa maioria das vezes, tem o carimbo do Serviço de Inspeção Federal, o que assegura que aquele pedaço de carne passou por inspeção cuidadosa e segura, por profissionais competentes e treinados, em um frigorífico legal, com abate humanitário. Agora, eu não quero que me julguem mentirosa e quero deixar claro que abates clandestinos estão aí para serem fiscalizados, mas isso é ooooutra questão...
Os suínos de hoje, foram selecionados para terem um bom rendimento de carcaça, isto significa, de forma simplória, que é desejável que eles apresentem mais carne que gordura em seu corpo. Além disso, eles apresentam melhores conformações, ou seja, apresentam formas mais harmoniosas, que permitem o seu desenvolvimento adequado, sem prejuízos ao animal durante a produção das partes do seu corpo de maior interesse econômico. A alimentação dos animais, é balanceada e diferenciada de acordo com as diversas fases de desenvolvimento, de forma que eles sejam bem nutridos e todas as suas exigências nutricionais sejam atendidas. A forma como são criados na suinocultura industrial difere do suíno criado na lama, no sistema de subsistência (que ainda é expressivo em algumas regiões do Brasil).
A teníase é uma doença que pode acometer suínos, bovinos, ovinos e o homem. Ocorre quando ingere-se carne crua ou mal passada onde há larvas de Taenia. Os animais, sendo hospedeiros intermediários, apresentam a larva desse verme em seus tecidos e o homem, hospedeiro definitivo, apresenta a fase adulta do verme em seu intestino e libera os seus ovos no ambiente, através das fezes.
A cisticercose é uma doença que pode acometer suínos, bovinos, ovinos e o homem. Ocorre quando ingere-se frutas, verduras ou água contaminada com ovos de Taenia (que o homem libera através de suas fezes).
O suíno, em produção intensiva, não ingere carne crua ou mal passada onde poderia haver larvas de Taenia.
O suíno, em produção intensiva, não ingere frutas, verduras e muito menos água contaminada com fezes humanas, onde poderia haver ovos de Taenia.
O suíno, em hipótese alguma, em produção intensiva, causa cisticercose no homem. O homem causa a cisticercose no suíno. O suíno não é a fonte de transmissão, apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida, mais uma vez, pelo homem. O suíno abriga a fase larvar da Taenia apenas quando ingere carne crua ou mal passada onde há larvas de Taenia (o que não ocorre na produção industrial).
Portanto, o homem adquire a cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminada com fezes de pessoas portadoras de Taenia, ou seja, com teníase. E o homem adquirirá a Taenia ao ingerir carne mal cozida de bovinos, suínos e ovinos que tenham cisticercose. Em nenhuma hipótese o homem terá cisticercose ao ingerir a carne suína oriunda de um sistema intensivo que passou por Inspeção Federal (e daí a importância de saber a procedência da sua carne, a importância de se comprar carne em estabelecimento adequado, onde só vendam carnes com o selo do S.I.F.).
Saliento ainda que essas doenças, a teníase e cisticercose, ainda ocorrem no país, porém, há que se ter o cuidado de só adquirir carnes de estabelecimentos de boa procedência que vendam carnes inspecionadas. Essas doenças são associadas a locais onde condições higiênico-sanitárias não são atendidas, falta saneamento básico e noções de higiene são precárias. Não precisamos adentrar muito o interior do Brasil para ter esse tipo de realidade, periferias de grandes centros urbanos estão carentes dessas condições básicas, só que o poder público não chega até lá (talvez precisem de carros melhores para enfrentar os buracos dos asfaltos ou as ruas de terra desniveladas)...

O risco: consumir carne suína de procedência duvidosa. Na dúvida, não consuma.
O suíno: não tem culpa nessa história.

Parafraseando um trecho da minha aula, "Enquanto o consumidor pensa no "porco" o produtor já produz o "suíno"".

05/01/2013

TPM nua e crua

Minha mente não pára...


O dia não rende, a fila não anda, as pessoas são más e feias e dizem coisas idiotas, os amores se acabam, há uma disritmia em tudo o que se faz, os planos se autodestroem, a água de coco fica passada, o dia fica cinza, o comercial de manteiga é romântico demais e me faz chorar, o ventilador quando ligado no modo exaustão me congela, os amigos viram inimigos e conspiram contra mim, as fotografias dos porta-retratos derretem na minha vista e se assemelham ao famoso grito de Munch, os tênis ficam iguais pés-de-pato, a manicure não sabe até hoje que odeio esmalte nude?, a cabeleireira não ouviu que eu não queria franja?, eu odeio usar aparelho, acho que meus dentes estão bonitos, talvez um pouco amarelados, mas são bonitos, não são? Você não acha eles bonitos? Por que eles não são tão bonitos? O que eu te fiz pra me odiar e odiar os meus dentes? Espinhas? Eu odeio tpm, eu tenho espinhas nesses dias e fico gorda, me sinto gooooorda, mórbida. Quero mudar a cor da parede do meu quarto... talvez um tom pastel... não, pastel parece nude, nude é tãããoo... sem expressão!, nude é nude, preciso de cor... mas é verde, é bonito! Não, azul! Azul traz paz, paz pra 2013. Quem precisa de paz? Quem quer paz? Ter paz na vida é viver de forma morna, eu não sou morna, eu sou ebulição, sou muitos graus celsius, deixo a paz para quem precisa. Quero mais dias felizes e infernais e de amores banais e quentes, mas não quero suor. Tenho nojo de suor. Também tenho nojo de amor água-com-açúcar. Os amores não existem em dias negros como esses. Só o Burguer King me salvará. Ligo o ventilador, tenho frio. Desligo o ventilador, mooooorro de calor. Olha, estou cansada, can-sa-da disso, parece que estou na menopausa e nem sequer cheguei nos 40. Ahhh os 40, credo! Obrigada, estou bem assim. Bem? Quem é que tá bem aqui? Olha essa bagunça... é tudo eu nessa casa, sou eu quem tenho que fazer isso fazer aquilo... Ai que saaaaco, meu celular não tem sinal. Essa operadora é uma merda. Merda é ser pobre e certo tá o Caco Antibes... cansei de ser pobre. E a noite não tem luar e se tem lua, ela foge da minha janela, não faz questão alguma de sorrir pra mim. Sorrir... faça-me o favor, suma daqui com esse sorriso! A g o r a! Não quero ouvir falar desse sorriso jocoso, nunca mais! Os gatos da vizinha miam, gemem, parecem crianças chorando. Se eu pudesse eu matava mil... não gatos, mas mil não sei quem ou quê, mas que matava eu matava. Queria chutar a gôndola de frios do supermercado. Eu perdi seis posições na senha dos fatiados, 6 fucking míseras posições e tive que esperar 29 só para pedir 300 gramas de presunto. E eu odeio presunto. Presunto dá gases. Como as pessoas podem comer presunto? Logo, quem come presunto é um peidador ambulante. É o que eu desejo aos meus inimigos: que se fartem de presunto e peidem quando rirem maldosamente de mim, MUAHAHAHAHHA. Experimente trocar amor por tequila. Ééé, permita-se, mulher! Mas troque em tudo, tome esse shot, essa dose por você. Leia todas as enfadonhas frases de amor (Amor... hahahahahahahah, desculpe, tenho riso frouxo) e troque essa enfadonha palavra por TEQUILA! Oras, por que me tomas? Tequila faz mal para mentes sãs como a minha. Grande bobagem essas coisas de sair bebendo. Nunca mais vou beber na vida. Não mesmo! Ah, eu bebo sim! Quem você quer enganar? Tpm morraaaaaaaaaaaaaaa, me deixa ser feliz. Eu não queria estar chorando... mas esse comercial de manteiga é realmente muito lindo. Eu amo o mundo. Eu amo, eu amo mesmo! Eu que não fumo queria um cigarro. Eu que não amo você! Eu amo sim, eu amo tpm. Ohhh Deus, por que meus livros não chegam logo? Quero mais dessa água de coco passada... eu poderia viver de água de coco, água de coco, sua linda!

01/12/2012

Fechada a cortina, vazio o salão

 Eu que já não queria mais, levei a vida devagar tentando me precaver dos piores. Sendo a vida louca e breve, quase caí porque parei... Me lembro de ter dito alguma vez que ouvi no filme que a vida é como andar de bicicleta, se parar cai. Pois bem, grande erro esse meu: eu parei. Sorte foi que não cheguei a cair, mas foi por pouco, veja bem. Encostei a bicicleta na sacada do apartamento (ela ainda está lá, imóvel e empoeirada), me acomodei e acreditei que era só um tempo, que as chances deveriam ser dadas para mim, para todos eles, e mais especificamente para ele. Por que eu ia descer três lances de escada todos os dias carregando a bicicleta, se eu podia ir andando devagar, devagarinho, sem pressa de chegar? Grande erro! Não quero mais parar, nem ser contida, muito menos perder velocidade. A exemplo de Forrest Gump estou indo correr, ainda que aos olhos dos outros aparentemente eu possa não ter motivos para correr assim, correr de quê? correr pra quê? eles dirão, mas dane-se a crítica, afinal de contas, quem são eles? Quem precisa deles? Somente quando eu achei que precisava de alguém foi que me perdi. Quero correr até sumir o que se passa aqui dentro ou até eu achar que está bom e confesso que recuperei os meus critérios de outrora. A mim não interessa mais seus dons artísticos, seu bom vocabulário e sua boa educação quando precisa de mim. Quero correr até que meus propósitos voltem a se fixar na minha cabecinha idiota e no meu coração que, definitivamente, não é de papel. Eu irei achar o tom e fazer com que fique bom outra vez o meu cantar. E não tem essa de "e a gente vai ser feliz...", porque já me esgotei da mesma nota, o show perdeu a razão.
 Se tu me cativas, nós teremos a necessidade um do outro, se do contrário isso não ocorre, o que posso eu fazer? Os homens esqueceram a verdade, e não deveriam se esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
 De ontem em diante, serei o que sou no instante agora. Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa. Me atiro do alto e me atire no peito, teu choro já não toca meu bandolim e a tua voz sufoca meu violão. Foi você quem quis assim (reflita...). Se ser sozinho, pra você é sinônimo de ser feliz, aposto o oposto: é impossível ser feliz sozinho! 
 Sem piedade, ainda me crucifico por ter sido, mais uma vez, boba (lê-se: carente) de acreditar que seria diferente, mas sou assim, nunca quis um só pedaço, sempre quis a fruta inteira. "Ora, que culpa tenho eu de ser assim?", diz meu lado racional, enquanto o lado emocional, o mandante, o traficante do meu morro, continua a se crucificar... pois bem, que seja assim, o show tem que continuar. Da luta não me retiro! Afrouxaram-se as cordas, mas não posso mais desafinar, não quero cair...


Agradecimentos ao Teatro Mágico, Fundo de Quintal, Tom Jobim, Pequeno Príncipe, Los Hermanos, final de semestre na faculdade e ao meu coração sensível (até demais) que me possibilitaram escrever mais um texto baseado em fatos reais. 


01/08/2012

Era uma vez no Maranhão


Por dez dias vivenciei, sob a minha ótica e o meu conforto, uma realidade que não é a minha, mas que me afetou. Vi muitos dormindo nas calçadas, mal abrigados e descobertos, largados e esquecidos. Quando amanhecia, os que pareciam moribundos ganhavam vida e de alguma forma, misturavam e camuflavam-se com os demais, que desde as sete da manhã estavam a postos lutando pelo pão deles. Os garis limpavam a sujeira que podiam das ruas nessas noites. Os mais sujos eram os policiais, que salvaguardavam o centro histórico à sua maneira... honestamente, não vi utilidade em tê-los ou não ali.
            Mal amanhecia e o sol no céu queimava a pele dos desprotegidos, despreparados e sem mãe: os turistas - aqueles que passam repelentes, protetor solar fator 60 e tentam ilusoriamente estar preparados a todas adversidades.
            Os nativos, de pele morena, alguns vestindo carrancas no lugar habitual dos seus rostos, armados e xenofóbicos... Outros, simpaticíssimos, gentis e de sorriso largo, prontos para ajudar ou dar um bom dia efusivo, contrastando e dando vida aos dias quentes e aos ônibus e ruas lotadas.
            Em Raposa, um povoado vizinho de mulheres rendeiras e homens trabalhadores do mangue, estão abertos à visitação e encantam com sua simplicidade e com suas palafitas sofisticadas que comercializam Coca-Cola, ainda que mal tenham água encanada.
            O sossego das pessoas se assemelha ao de suas tão famosas dunas e lençóis. O reggae que ecoa nas esquinas, misturado ao som de um forró mais que animado, é o que movimenta o povo nas baladas. Tenho pra mim que se não fosse a sua música, eles não seriam os mesmos.
            Foi por essas que outras que eu percebi, ao contrário do que a mídia vende, que não são somente os sabores como o do cupuaçu, cajá, bacuri e do famoso Guaraná Jesus, a disposição dos azulejos e arquitetura das velhas casas quem dão o gingado e a malemolência típica de São Luis do Maranhão. Adiciona-se também os contrastes e percepções de fatos reais, vividos por mim e por outros que desconheço, nesta cidade muito longe, muito longe daqui, que tem problemas que parecem os problemas daqui
            E para os que desconhecem qualquer fato a respeito, estar no Maranhão é arte, suar faz parte.


03/06/2012

Sou um transdutor

 Engraçado como, em certas horas, a gente aprende a atuar como se fosse uma atriz de cinema ganhadora de um oscar de melhor interpretação, disfarçando com classe a tristeza real que sente ao rever alguém que um dia foi muito especial na sua vida, lembrando que poderia ter sido e não foi, nem nunca será. Cheguei até a imaginar efeitos especiais quando da minha despedida, como se o mundo parasse, como se o meu sorriso fosse penetrante, como se breves segundos de um cumprimento gentil pudessem marcar toda uma vida... todos esses efeitos devido ao fato de que poderia ter sido e não foi e nem nunca será.

E são efeitos especiais, tão especiais que não existem na vida real. Tendo sido afetada por um realismo tão grande que até os sentidos me aparecem sem suas cores, e se há cores, estas são insossas, não vejo o porquê de sonhar... Vendo em preto e branco a vida passar creio que é assim que deve ser praqueles que se cansaram de acreditar em futuros prósperos, recheados de conquistas, valores, alegrias...

Acho engraçado mesmo essas horas que a gente perde a noção de realidade e essa tem sido uma das poucas graças obtidas por mim mesma. É tão idiota isso de se imaginar vivendo uma realidade inventada, que nunca foi nem nunca será. E é engraçado por ter todo o seu foco invadido por uma abstração que quando passa e perde a validade você se olha e sente vergonha por ter elevado à enésima potência as probabilidades reais de algo acontecer, desafiando as leis da física e da matemática pura e ri sozinho...

Ouvi há pouco o que o músico cantou. Era algo mais ou menos assim: hoje aqui, amanhã não sabe... vivo agora antes que o dia acabe. Realismo puro! Se eu dormir vou correr o risco de sonhar... e sonho que se sonha só é só sonho. Não quero mais isso pra mim...

04/03/2012

Palavras, palavras apenas, palavras pequenas...

Tem quem prefira os beijos às palavras. Eu particularmente sempre preferi as palavras, que poucas vezes me faltaram. Os beijos, estes têm sido bastante superficiais em vida, em sonho, em passado e na previsão de um futuro não planejado. Palavras me fogem da cabeça, me vêm à boca quando querem, me fodem a vida quando mal escritas, me tornam mal compreendida, mas recheiam o conteúdo dos que as proferem ao invés do Pensamento, que se esconde nos covardes e morrem com eles, junto com as suas vontades. De palavra em palavra se compreende uma frase, um pedido, uma ordem, uma indireta... Com as palavras se consegue ir além. Atinjo meus alvos fazendo uso delas, machuco-me ao ouvi-las, preciso delas para me acalmar. Aqueles que fazem mau uso delas corre o risco de depender da compreensão, benevolência e caráter de outrem para ser absolvido sobre aquilo que foi cuspido intencionalmente. E uma vez dito, complicado se redimir, não há meios de retirar ou fazer esquecer aquilo que os ouvidos ouviram e na mente já penetrou. 

 

12/02/2012

SHOC,

É difícil viver longe de quem se ama.
Falta o abraço não dado nos momentos em que se necessita dar, o calor do abraço não recebido, o afago das mãos, o beijo, o colo acolhedor, o bom dia com cara de sono, o fazer nada juntos, o rir da vida, o caminhar despojado e sem intenções de chegar a algum lugar, a correria e a parceria, o amor em todos os seus sentidos e suas formas de expressão, o ombro que acalenta o choro, o filme na terça-feira, a pipoca na quinta, o coçar na sexta-a-noite, o cinema no domingo de manhã, o sorriso amarelo pós coca-cola... em suma, falta o dia-a-dia.

É injusto ter o hoje com os seus méritos e amanhã perdê-los devido ao acaso do destino.
É injusto ter que saber lidar com o novo sem ter nascido sabendo como fazer.
É injusto ter que ser forte quando a distância deixa lacunas pela estrada.
É injusto ter que tolerar que se perde aquilo que se gosta porque a distância não sabe brincar de ser legal.

A distância parece injusta, mas ao mesmo tempo, sabe o que faz. Se não fosse a distância entre o sol e a lua, esta não brilharia refletindo a luz emitida pelo sol e não seria tão bonita aos olhos de quem a vê.
A distância dá saudade e oportunidade aos amantes sentirem falta um do outro, fazendo os encontros sempre valerem a pena.

Que esta dor, causada pela saudade, causada pelo desejo de estar junto, causado pela distância, causada pelos caminhos escolhidos, causados pela sorte de cada um, causada pelo dia em que te conheci, me amadureça e fortaleça, para que eu consiga te reencontrar, quando possível, sabendo lidar com o fato de te amar e não poder estar contigo da forma como queríamos que fosse.
   
"De que vale um pingo d'água no meio da corrente? De que vale amor bonito, ai meu deus do céu, longe do olho da gente?" diz, em meus ouvidos, a ladainha da capoeira que um dia com arrepios de emoção ouvi numa roda.



18/12/2011

Isso é só o fim

Botei meus óculos para poder enxergar melhor o que eu pretendo relatar nas seguintes linhas. Trata-se de um final. Vou começar falando de finais. Estes podem ser felizes, tristes, abruptos, românticos e sentimentais, molhados e ao mesmo tempo secos. Mexem com a gente, não mexem com a gente, são difíceis de serem encarados, ou não, mas não passam imperceptíveis nem sob o olhar do mais desatento dos não-observadores. O prazer que se tem com a finalização de algo que custou caro para as mãos, coração, vistas, glândulas lacrimais e sudoríparas se esconde ou se mostra, se vive ou se deixa viver. O fato é que as construções, os relacionamentos e as longas caminhadas tem seu começo, seu meio e seu fim. Não tem como escapar disso. O fim está sempre a espreita, esperando seu momento de acontecer. Nunca se sabe aonde uma despedida ocorrerá. Porém despedida não trata do mesmo assunto que trata o fim, necessariamente. Mas despedidas e finais andam de mãos dadas. Fim é fim. Não costuma trazer à tona o que outrora outros meios trouxe. Despedida pode anteceder um novo reencontro. Despedidas podem conter finais. Porém finais não podem conter despedidas. Conter: Compreender na extensão, na capacidade, na substância; Encerrar; Manter em certos limites, impedir de avançar; Disciplinar os sentimentos, dominar-se. Então é isso. Não pude conter certas lágrimas que deram ao cabo de terminar de destruir-me. Quando retiro meus óculos é que percebo que algo me fazia falta nesse tempo. Eram os óculos. Mas ainda falta algo mais...

22/10/2011

This is it

Bem mais que o tempo que nos perdemos ficou para trás também o tempo que nos juntou... Ainda lembro que eu pegava o mesmo ônibus só para saber do seu final de semana. Isso foi antes de tê-lo. Os versos que eu fiz você ainda carrega na carteira. Isso é de ontem e de hoje. O vento desfaz o que há por dentro aos poucos, mas o nosso lugar no ônibus será sempre nosso lugar, de nenhum outro casal! Você está vendo o que está acontecendo? Nessa baderna sei que ainda estão os versos seus tão meus que peço nos versos meus tão seus que me esperem. Que me aceite depois de tudo porque em paz eu digo que eu sou o antigo desse que vai adiante. Sem mais, eu fico onde estou, você onde está. Prefiro continuar distante..

21/09/2011

Para minha ciência, notei minha consciência.

Vivo da escravidão que é viver atada ao que manda a minha consciência. Alimento-me assim, dia a dia, das poucas escolhas que posso fazer. Se não fosse a sua existência, Consciência, eu não sei o que seria de mim. Devo, então, agradecer-te ou ignorar-te? Para meu descontentamento, o seu despropósito acerca de mim, sempre vence. Fraca como sou e como me conheço diante daquilo que me leva a loucura, você impera antes ou depois e de uma forma ou de outra, a vilã é sempre você. Recosto minha cabeça no travesseiro e vivo de suspiros e lamentações do tipo "ai se..." ou do tipo "por que eu não pensei melhor?". Então pra quê bananas você me serviu? Por isso, vou avisando que seus dias estão contados, senhora. Já disse uma vez que seguiria minha estrela e cheguei a fantasiar em segredo o ponto aonde queria chegar. Eu vi grana e dor, minha palma da mão mostrou um paraíso perigoso... Tomei consciência hoje de que esta, velha e conhecida consciência, de nada vale, de nada vale, de nada vale mesmo, porque no final ela só aparece para apontar o dedo e dizer que avisou. Preciso mesmo de um novo sistema de comportamento baseado em recompensas melhores que a manutenção da minha integridade moral. Não tem mais espaço no mar para camarões que dormem, a onda acaba levando. Ou será que preciso aprender a ser livre?

04/07/2011

Pneus de carro cantam

Naquele clima de final de semestre, provas, pressão, a louca vontade de jogar tudo pro alto falou mais alto. Depois da meia noite viveu muito mais do que a Cinderela poderia ter vivido em sonho durante o dia. Risos altos, conversas despreocupadas e a noite inteiraaaaaaa sendo insanamente divertida. Cabelos ao vento, da janela do carro, o excesso de felicidade era transmitida para o silêncio que pairava nas ruas, e tudo parecia um sonho. E o frio não importava, o calor vinha de outro ombro mais que amigo e tudo pareceu perfeito. Acordou com a sensação de que perdera o juízo, nada parecia fazer sentido algum. Olhou ao redor e viu que, além dela mesma, tudo estava intacto...











Mas aonde é que estavam suas sapatilhas?

29/06/2011

Foi a cor dos olhos

Da minha janela eu podia ver claramente a luz entrar, eu podia ver ciscos de poeira que voavam a esmo. As definições sobre tudo me cabiam e me satisfaziam perfeitamente. Eu podia ter, da minha cama, os melhores sonhos e dos meus pensamentos, as maiores vontades. Da minha vida eu podia tomar o rumo que quisesse, podia escolher como seria o meu dia. Dos meus impulsos eu podia ser qualquer coisa e podia me pintar no papel que escolhesse. Mas isso foi antes. E logo eu que jurei por Deus não morrer por amor...



17/06/2011

Filosofia e Bem-Estar Animal

Desde antes de Cristo filósofos questionavam assuntos que despertavam interesse ou impactavam a vida. Aristóteles, filósofo da Antiguidade, exerceu influencia no pensamento, ação de seus contemporâneos e de pessoas da atualidade. Acreditava que animais estariam a serviço do homem para uso-fruto sendo, desprovidos de razão, fato que os distinguiria dos humanos.
Atualmente, a teoria Produtivista, cuja base filosófica vem das ideias de René Descartes, afirma que os humanos são os únicos membros da comunidade moral, sendo espécie pensante que possui o direito sobre o modo de vida dos animais. Muitos sistemas produtivos os subjugam em busca de lucro, sendo o sofrimento animal justificado pelo aumento da produtividade.
Apesar de não sermos filósofos não estamos desautorizados a comentar sobre “ética” na produção animal. A sociedade civil organizada e movimentos sociais trouxeram preocupações éticas com a produção animal. Estas preocupações foram acompanhadas por reflexões e trabalhos de diversos filósofos como Ruth Harrison, Willian Russel, Rex Burch, Peter Singer, Tom Regan, que apresentaram questões humanitárias e filosóficas, tomando ora posição moderada frente aos debates ora aliando-se a movimentos radicais.
Filósofos contemporâneos sentiram necessidade de novas reflexões acerca da abordagem do Bem-Estar no tocante à produção, experimentação e direitos animais. Ruth Harrison deu inicio a discussões sobre Bem-Estar Animal através do lançamento de seu livro, Animal Machines, onde denunciou maus tratos que os animais eram submetidos na criação confinada. A publicação impactou a comunidade européia chegando ao Parlamento Britânico que criou o comitê Brambell para analisar a situação. Isto abriu caminho para outros manifestarem-se sobre o assunto conturbado. Tom Regan, Stephen Clark e Bernard Rollin, passaram adiante a idéia de que animais têm direitos. Comitês e Conselhos de Bem-Estar foram criados como o FAWAC (Farm Animal Welfare Advisory Council), que posteriormente passou a ser FAWC (Farm Animal Welfare Committee) existindo atualmente e considerando que animais mantidos pelos homens devem estar protegidos de sofrimento e baseia suas considerações em 5 liberdades. Peter Singer e Tom Regan escreveram Animal rights and human obligations (1981) também impactando a nível global as considerações sobre Bem-Estar. A partir dessas novas visões e manifestações, criaram-se relatórios apresentando Códigos de Boas Práticas e Manejo. Tom Regan lançou outro livro, In defense of animal rights (2001), mostrando que o debate continua. Grupos, ONGs, conservacionistas, vegetarianos, protecionistas ou defensores da liberdade animal influenciam a ciência e prática de ações relacionadas ao Bem-Estar Animal baseados no pensamento dos filósofos do passado e contemporâneos.


Este foi outro texto enviado para mais uma tarefa da WSPA.

08/06/2011

Senciência Animal

Eis um texto feito por mim e por Emília Davanzo para uma tarefa da WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal). Quem quiser saber mais sobre a sociedade, dá uma olhadinha no site: http://www.wspabrasil.org/. Vale muito a pena!

A senciência é um conceito intrinsecamente ligado aos humanos, e uma série de questionamentos surge quando o mesmo é estendido aos animais. Senciência significa ter capacidade de vivenciar sentimentos e emoções, poder sentir dor e sofrer, mas o oposto também é verdadeiro – o animal senciente também tem a capacidade de sentir prazer. Não sabemos em que ponto na escala evolutiva reside a linha limítrofe entre a presença e a ausência de senciência, porém, trabalhos científicos reúnem motivos e experiências que buscam sua comprovação.
Tem-se ainda muito ceticismo no meio científico e profissional em relação à senciência animal, mas se os animais são considerados então simples máquinas, como sugere a teoria do filósofo Descartes, como a semelhança com a inteligência humana, exibida por eles, pode ser explicada? Em estudos sobre preferências ambientais (Dawkins, 1980) galinhas puderam escolher entre viver em gaiolas ou livremente. As acostumadas a viver soltas, preferiram permanecer livres, já aquelas acostumadas a viver em gaiolas, em um primeiro momento preferiram-na, embora posteriormente escolheram a vida livre. Deste modo, a escolha é fortemente influenciada pela experiência anterior. Deve-se notar que o fato de as galinhas preferirem viver fora de uma gaiola não é indicativo de sofrimento, mas sim de que elas possuem a capacidade de escolha.
Evidências sobre senciência animal foram testadas em diversos experimentos. Pode-se citar como exemplo os trabalhos realizados por Marian Dawkins, ligados à galinhas, que através de uma série de experimentos mostrou que as aves desenvolviam habilidades para encontrar alimentos disfarçados no ambiente, demonstrando capacidades cognitivas nesses animais. Existem também trabalhos como os realizados por Yue com trutas arco-íris, onde as mesmas eram mantidas em um tanque dividido em duas câmaras. Uma luz era acesa em uma câmara, onde receberia um estímulo ameaçador, como uma rede, e para evitá-lo, a truta deveria nadar até a outra câmara do tanque. Todas as trutas aprenderam em um período de 5 dias a responder à luz nadando para o outro tanque, demonstrando não só a senciência do animal através da capacidade de sentir medo como também a capacidade de memória dos mesmos, demonstrando um desenvolvimento cognitivo semelhante aos dos mamíferos. Esse trabalho tem não apenas a importância de provar a senciência animal e com isso ser ponto de apoio para justificativas sobre o cuidado com o bem estar animal como também estende esse conceito aos peixes, animais comumente taxados de desprovidos de emoções.

Referências:

DAWKINS, M. Perceptual changes in chicks: Another look at the ‘search image’ concept. Department of Zoology, University of Oxford UK. Received 4 December 1970; revised 19 March 1971.

S Yue, R.D Moccia, I.J.H Duncan. Investigating fear in domestic rainbow trout, Oncorhynchus mykiss, using an avoidance learning task. Received 12 March 2003; received in revised form 3 September 2003; accepted 21 January 2004.

http://www.labea.ufpr.br/publicacoes/pdf/P%E1ginas%20Iniciais%202%20Senci%EAncia.pdf

http://www.afac.ab.ca/current/sentience/05mar.htm

http://www.oie.int/doc/ged/D2044.PDF

http://animalbehaviour.net/JudithKBlackshaw/Chapter3f.htm

01/06/2011

O tempo voa mais do que a canção

Ela não chorou quando o espinho da flor cruel que ela amou a machucou. A dor se arrastou por muito tempo, mas mesmo assim, nada de choro. Até que, ainda sensibilizada pela mesma dor, ela leu em algum lugar "Chora, Tistu, chora. É preciso. As pessoas grandes não querem chorar, e fazem mal, porque as lágrimas gelam dentro delas, e o coração fica duro." e então desatou a chorar, como nunca antes havia chorado. A citação foi o estopim, a razão que ela precisava para se libertar. E ela que se julgou forte, foi fraca quando muitas lágrimas vieram. Na calada da noite essas lágrimas, claras e salgadas e inquilinas da dor, vieram... E ainda que irmãs do desespero, elas a fizeram repensar em seus erros e a fizeram enxergar que a flor não era cruel, mas o seu espinho é quem lhe cravou uma marca profunda no peito, que já está cicatrizada e de lá não sairá mais.
Não precisou de meio dia para se sentir mais leve, foi instantâneo. E sentiu outra vez um vazio estranho, mas dessa vez era diferente. Não era fome. Comer não parecia tão importante. Estando ali, sozinha, de repente o seu pensamento focalizou alguém. E o seu coração apertou, mas não a deixou triste, pelo contrário, até deixou escapar um sorriso. Sentia-se alimentada por outra coisa. Dormiu e acordou com os mesmos pensamentos e estes a impulsionaram a ter um grande dia...
Quando o viu suas palavras saíram embaralhadas e suas mãos suaram. Então sua cabeça pensou direito, pode recuperar suas faculdades mentais por um momento, mas pouco depois perdeu-se novamente em sentimentos bons e confusos.

As borboletas que se confundem com dor de estômago voltaram. Mas agora não é mais dor, são elas mesmas. "Há quanto tempo, velhas amigas!! Não querem entrar e tomar uma xícara de café?" ela as convidou e prometeu que não vai mais tentar contê-las, pois já é hora de aceitar que os ventos mudam de direção e dessa vez, o vento as trouxe pra ficar e é bobagem lutar contra isso.



18/05/2011

Comportamentos

Podemos modelar nosso comportamento de acordo com o ambiente em que estamos inseridos. Somos plásticos, mutáveis, influenciáveis e sofremos degradação. As nossas qualidades não nasceram conosco, mas atualmente exibimos inúmeras. Algumas qualidades despontam mais que outras. Eu poderia ser o pior ouvinte do mundo, mas sou forçado a ouvir, em certas ocasiões. Eu poderia ser uma pessoa muito desonesta, mas sou honesta ao lidar com minha família. Nossa personalidade, esse nosso gênio, desenvolvemos ao longo dos anos. Nascemos crus. Fomos forçados a adotar uma postura de acordo com as diferentes experiências vividas. Nossos traços característicos continuam a evoluir e a amadurecer, ainda respiramos e mantemos contato com o mundo. Alguns traços mudaram bastante na adolescência. Outros mudam agora, nesse instante. Podemos mudar depois de ler um livro, assistir um filme, decepcionar-se ou surpreender-se com a atitude de um qualquer ou de alguém que exerceu influência na nossa vida. Podemos também fingir que nada está acontecendo e modular os nossos comportamentos de acordo com a nossa vontade. Muito mais fácil nos acomodar e esperar que o mundo gire ao redor do nosso umbigo.

O desafio para nós, seres humanos, por vezes, é definir quais traços do nosso caráter precisam ser trabalhados e aceitar que certos comportamentos, por mais que tenham sido expressados ao longo de uma vida inteira e tomados como verdade universal, não cabem mais numa determinada conjuntura. Não precisamos ter mais perdas do que ganhos para compreendermos isso, mas as vezes uma única perda pode ser derradeira para o choque de realidade que precisamos sentir para acordar.

Viver não é fácil, por vezes é um soco no estômago.

09/05/2011

Nádegas a declarar.

A pessoa desbundada sofre deveras mais do que a pessoa despeitada.

A desbundada jamais saberá o que falam por trás dela quando ela passa a não ser que o seu olho traseiro consiga visualizar tão bem quanto sente. A despeitada, por sua vez, tem a possibilidade de perceber olhares e comentários acerca do seu despeito. A despeitada também pode estufar o peito e seguir em frente, se ela estiver com a estima lá em cima. Nenhum homem deve se lembrar de uma mulher que não tem peitos do mesmo jeito que se lembra da que não tem bunda. A sem bunda é marcante.
Brasileiras desbundadas sofrem ainda mais, uma vez que grande parte da nossa fama no exterior é devido ao atributo volumoso que acompanha o corpo da grande maioria, ainda que não seja mérito portar tamanha musculatura na região glútea se há pouca massa cinzenta pensante. E sofrem ainda mais porque se estabeleceu uma ditadura das bundas grandes no país. Sintam o seguinte caso: A mulher desbundada decide comprar uma calça jeans maravilhosa que viu na vitrine de uma loja e descobre que a calça é desprovida de lycra. Eu digo pra vocês, NÃO COMPENSA nem provar a calça. Ficar passando vontade pra quê? É muito pano pra pouca bunda e o pano não vai colar nas suas nádegas. Na primeira sentada que a mulher der o tecido já empapuçou tudo. Então se ela decide levar a calça mesmo assim, a desprovida de bunda só vai enganar a si. Chega em casa, o namorado ainda tem a petulância de fazer um comentário do tipo "nossa mor, essa calça tá meio larga". Aí a mulher, no meio de uma crise da consciência ou eureka ou insight, chamem como quiser, diz: "NÃO, ela não está larga, SOU EU que não tenho bunda. Tá feliz agora?" e assim criou-se um desconforto muito grande no relacionamento da mulher com seu respectivo parceiro.
Conselho da noite: mulheres desbundadas, prefiram calças com lycra. E digo mais, com o cós alto, mas não tão alto que cubra seu umbigo. A intenção é ficar sensual ou simular a existência de uma bunda ali naquela planície. Acho que pior que desbundada é desbundada com o cofre aparecendo. Não cometam esse crime com vocês mesmas.
A despeitada bota um bojo, silicone, meia, estufa o peito ou aprende a viver com a situação. Já a coitada da sem bunda, vai fazer o quê? Nem sonhar com a entrada num grande grupo de funkeiras ela pode. Silicone na bunda? Não sei se o produto final ficará tão digno quanto mereceria. Ainda por cima, recebe apelidinhos carinhosos e a título de ilustração vou colocar aqui o menos maldoso: Fiat Uno. Jacaré também é bonitinho, né, gente?

Exageros e sarcasmo deixados de lado, me pronuncio em meu nome, sou aquela que não tem grande coisa de bunda, e em nome de todas aquelas que se sentem constrangidas de ter que subir uma escada sabendo que outra pessoa atrás a observa, se sentem constrangidas quando emagrecem e a primeira coisa que se esvai é o bumbum e por aquelas que simplesmente gostariam de ter uma bunda pra chamar de sua.
Mas ó, fica mais uma dica na noite: mais importante que bunda é ter jogo de cintura. Treinem e acreditem no potencial do seu rebolado.

20/04/2011

O show tem que continuar

Uma vez li que a vida é como Las Vegas: as vezes você ganha, as vezes você perde, mas no final você sempre leva a pior, mas isso não significa que você não se divertiu! Woody Allen teria dito isso.

Outra vez escutei no filme Lisbela e o Prisioneiro que viver é que nem andar de bicicleta: se parar cai.

E olha que tudo me faz muito sentido agora, como num poema lido no centro da cidade de Campinas que me fez acreditar que a rosa só me podia dar o seu perfume, o vento só sua brisa e o amor tudo e nada mais, aceito as definições de vida e contento-me com aquilo que cabe a mim receber.